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Evidências de revisões sistemáticas sobre o uso de ácido tranexâmico no trauma

Processo: 18/19561-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2019
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2020
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Cirurgia
Pesquisador responsável:Rachel Riera
Beneficiário:Isabela Soucin Maltoni
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Cirurgia geral   Trauma craniocerebral   Hemorragias intracranianas   Ácido tranexâmico   Revisão sistemática

Resumo

O trauma consiste nas alterações estruturais e fisiológicas sofridas pelo organismo devido à exposição a uma ou mais formas de energia. Em termos de saúde pública, pode ser considerado uma doença epidêmica mundial, com elevada taxa de morbimortalidade. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o trauma foi responsável pela morte de 4,9 milhões de pessoas no mundo em 2016, das quais 70% eram homens. Os acidentes de trânsito foram a causa de um quarto dessas mortes, seguidos por homicídios e suicídios. No Brasil, considerando todas as idades, o trauma corresponde à terceira maior causa de morte, vitimando principalmente homens entre os 20 e 29 anos, fato que leva a impactos socioeconômicos importantes. Em relação à mortalidade no trauma, o traumatismo cranioencefálico é a principal causa de óbito (45%). Já a hemorragia ocupa a segunda posição nas causas de morte (30%), sendo a primeira causa evitável. Como fator agravante ao choque hemorrágico, destacam-se as coagulopatias associadas ao trauma, que, se não controladas, podem levar a óbito em um curto período de tempo. Seu mecanismo decorre de diversos fatores sinérgicos, a exemplo da hemodiluição por excesso de infusão de cristaloides, perdas de fatores de coagulação, hipotermia, acidemia e, principalmente, hiperfibrinólise pós-trauma. Essa hiperfibrinólise é induzida pela lesão endotelial difusa, com ativação da cascata plasminogênio-plasmina e aumento da atividade da proteína C ativada. O manejo inadequado da coagulopatia é, inclusive, uma das maiores causas potencialmente evitáveis de morte no trauma. Nesse contexto, protocolos de transfusão maciça e drogas antifibrinolíticas como o ácido tranexâmico (ATX), droga que age por meio da inibição competitiva da ativação do plasminogênio em plasmina, têm sido estudadas como um recurso de grande valia no controle dos sangramentos em vítimas de trauma, visando conciliar um tratamento seguro, eficiente e rápido. O estudo CRASH-2, considerado um dos maiores ensaios clínicos envolvendo vítimas de trauma (N = 20.211), mostrou que o uso do ATX, quando administrado em até três horas após o evento, reduz significativamente a mortalidade geral e relacionada a hemorragia, sem aumentar o risco de eventos trombóticos. Sendo o ATX um medicamento de baixo custo e ampla disponibilidade, é importante conhecer os benefícios e riscos associados ao seu uso, com base nas melhores evidências disponíveis atualmente. Dessa forma, é objetivo deste estudo reunir e verificar a qualidade metodológica das evidências encontradas por revisões sistemáticas sobre os efeitos do ATX como opção terapêutica no controle da hemorragia no trauma, de modo a contribuir para um conhecimento mais amplo sobre o manejo desta importante causa evitável de mortalidade.