Busca avançada
Ano de início
Entree

Participação da sinalização dos receptores para peptídeos formilados e seus ligantes na eficácia da terapia com infliximabe

Processo: 19/02806-9
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Doutorado
Vigência (Início): 29 de julho de 2019
Vigência (Término): 28 de julho de 2020
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Biologia Geral
Pesquisador responsável:Sandra Helena Poliselli Farsky
Beneficiário:Marina de Paula Silva
Supervisor no Exterior: Mauro Perretti
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Queen Mary University of London, Inglaterra  
Vinculado à bolsa:16/19682-2 - Mecanismos de ação da Anexina A1 na doença intestinal inflamatória tratada com infliximabe, BP.DR
Assunto(s):Infliximab   Fisiopatologia

Resumo

Doenças inflamatórias intestinais (DIIs) são enfermidades idiopáticas e debilitantes caracterizadas por inflamação gastrointestinal. O fator de necrose tumoral alfa (TNF-a) é considerado a principal citocina envolvida na patogênese das DIIs, portanto, ferramentas de inativação deste mediador pró-inflamatório têm sido desenvolvidas, incluindo o anticorpo monoclonal infliximabe (IFX). Apesar da eficácia do IFX em pacientes refratários aos tratamentos convencionais, existem ainda diversos casos de efeitos adversos e não-responsividade a essa terapia, representando um ônus significativo na qualidade de vida dos pacientes e um alto custo em saúde pública. Desta forma, o maior desafio da atualidade no manejo das DIIs tem sido identificar marcadores que predizem a não-responsividade a terapias. Estudos recentes relataram a possível relação entre a resposta à terapia com IFX e a expressão endógena da proteína anexina A1 (ANXA1) em pacientes com Doença de Crohn (DC) e camundongos com colite experimental. Camundongos deficientes para o gene da ANXA1 não respondem ao tratamento com IFX durante o modelo agudo de colite experimental induzida por dextran sulfato de sódio (DSS). Os mecanismos envolvidos neste fenômeno permanecem desconhecidos. A biologia da ANXA1 envolve mobilização extracelular e ação por vias autócrina, parácrina ou justácrina após ligação aos receptores para peptídeos formilados (FPR). Diversos efeitos anti-inflamatórios e homeostáticos resultam das cascatas ativadas após essas ligações. Os FPR1, 2 e 3 são conhecidos como receptores promíscuos por sua capacidade de serem estimulados por uma grande variedade de ligantes além da ANXA1 e seu farmacóforo, o peptídeo Ac2-26. Devido à sua participação em processos antimicrobiais e inflamatórios, os FPRs têm sido estudados nas DIIs. Durante o projeto de doutorado proposto inicialmente, nós demonstramos que as vias de sinalização por FPR1 e 2 são relevantes para o controle das manifestações da colite experimental in vivo e o consequente dano epitelial. FPR1 e 2 estão envolvidos, ainda, na eficácia do IFX em atenuar a colite induzida por DSS em camundongos durante a fase de cronificação do modelo, com os FPRs exercendo um papel proeminente na proteção da barreira epitelial, demonstrado por experimentos in vitro. Além disso, demonstramos a relevância da ANXA1, um dos ligantes dos FPRs, nesses contextos. Entretanto, não existem informações mais detalhadas sobre o envolvimento dos FPRs e outros ligantes na patogênese das DIIs e em casos de pacientes refratários a terapias. Desta forma, nós propomos aprofundar nosso conhecimento acerca desse tema, investigando se a dessensibilização dos FPRs poderia estar associada à não-responsividade ao IFX. Para isso, gostaríamos de solicitar uma bolsa para desenvolver esta etapa do nosso estudo no William Harvey Research Institute, Queen Mary University of London, sob supervisão do Dr. Mauro Perretti. Nós propomos estudar a localização e expressão dos FPRs por citometria de fluxo no ImageStreamX após diferentes protocolos de dessensibilização ou silenciamento da ANXA1 em células Caco-2 e leucócitos humanos. Associados a outras abordagens experimentais, como quantificação de citocinas e mobilização de cálcio, os dados obtidos poderão contribuir futuramente na compreensão das vias desencadeadas por agonistas de FPR durante a resolução da inflamação nas DIIs, fornecendo uma importante base para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas a fim de auxiliar pacientes a alcançar uma remissão precoce e mais permanente.