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Distribuição geográfica, transferência horizontal e especiação em ácaros de penas (Astigmata) no Brasil

Processo: 18/21504-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Doutorado
Vigência (Início): 06 de maio de 2019
Vigência (Término): 05 de maio de 2020
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Zoologia - Taxonomia dos Grupos Recentes
Pesquisador responsável:José Paulo Leite Guadanucci
Beneficiário:Luiz Gustavo de Almeida Pedroso
Supervisor no Exterior: Pavel Klimov
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Rio Claro. Rio Claro , SP, Brasil
Local de pesquisa : University of Michigan, Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:16/11671-1 - Distribuição geográfica, transferência horizontal e especiação em ácaros de penas (Astigmata) no Brasil, BP.DR
Assunto(s):Biodiversidade   Biogeografia   Acarologia   Especiação

Resumo

Ácaros de penas (Analgoidea and Pterolichoidea) é o mais rico e abundante grupo de artrópodes associados às aves. Essa diversidade se deve por uma combinação de dois fatores: (i) às especializações dos ácaros a vida em microhabitats específicos no corpo das aves e (ii) a alta especificidade com seus hospedeiros. A transmissão desses ácaros a novos hospedeiros tipicamente ocorre durante contato físico entre duas aves, mais comumente a vertical, que ocorre durante o cuidado parental das aves. Nidoparasitismo está entre os comportamentos das aves que pode influenciar nesse padrão de transmissão. Aves nidoparasitas não constroem ninhos nem possuem cuidado parental. Portanto, parece convincente que aves nidoparasitas podem facilitar a transmissão horizontal dos ácaros entre múltiplos hospedeiros (coespecíficos ou de espécies diferentes), afetando a especificidade dos ácaros nesse sistema. Ainda assim, dados dos poucos estudos de ácaros de penas de aves nidoparasitas sugerem que a transmissão interespecífica raramente ocorre. Entretanto, a maioria desses dados referem-se aos cucos (Cuculiformes) parasitando passarinhos (Passeriformes), dois grupos filogeneticamente distante de aves que são conhecidos por abrigarem acarofaunas distintas. É mais provável que a transmissão interespecífica em casos de nidoparasitismo ocorra entre aves mais proximamente relacionadas. Este é o caso dos chupins (Passeriformes: Icteridae: Molothrus) das Américas, passarinhos nidoparasitas que parasitam muitos outros Passeriformes. No entanto, quase nada é conhecido sobre seus ácaros de penas, bem como sobre a distribuição geográfica desses ácaros. Devido a especificidade, podemos esperar que a distribuição dos ácaros de penas siga aquela de seus hospedeiros, entretanto, existem evidências de que diferentes populações de uma espécie de ave podem apresentar acarofaunas distintas. Para detectar essas distinções, é importante identificar devidamente as espécies de ácaros, uma tarefa geralmente feita por experientes taxonomistas do grupo, por morfologia. A caracterização molecular de ácaros de penas, provendo código de barras de espécies, têm ajudado a identificá-los, mostrando que a presença de espécies crípticas é comum no grupo. Portanto, a determinação genética de ácaros de penas é uma ferramenta indispensável em estudos biogeográficos para identificar propriamente espécies de ácaros de penas de diferentes hospedeiros e localidades. Pelas razões expostas, este projeto se propõe investigar a fauna de ácaros de penas presente no Chupim Molothrus bonariensis, um nidoparasita generalista no Brasil, bem como a de alguns de seus principais hospedeiros, caracterizando suas espécies de ácaros tanto por morfologia quanto molecularmente, investigando também a transmissão desses ácaros ao longo da distribuição geográfica do Chupim no Brasil. Resultados preliminares de peles de museu incluem evidências de transferência horizontal das aves parasitadas para o chupim, e um padrão disperso na distribuição geográfica de ácaros de penas entre populações de tico-tico (Zonotrichia capensis) do Sul e Sudeste do Brasil, bem como de populações chilenas.