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Efeitos da dieta hiperlipídica materna sobre o fator neurotrófico derivado do cérebro, proteínas da via inflamatória e os biomarcadores de estresse oxidativo em hipocampos da prole adulta de camundongos

Processo: 18/10380-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de abril de 2019
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2019
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Nutrição - Desnutrição e Desenvolvimento Fisiológico
Pesquisador responsável:Cristiano Mendes da Silva
Beneficiário:Paula dos Santos Gomez
Instituição-sede: Instituto de Saúde e Sociedade (ISS). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Baixada Santista. Santos , SP, Brasil
Assunto(s):Estresse oxidativo   Hipocampo   Neurogênese   Dieta hiperlipídica   Fator neurotrófico derivado do encéfalo   Inflamação

Resumo

Os efeitos da(s) dieta(s) hiperlipídica(s) (DHL(s)) materna em roedores demonstraram que as proles adultas provindas das mães que consumiram DHL durante os períodos de gestação e lactação apresentaram transtornos neurológicos (Giriko et al, 2013; Mendes-da-Silva et al., 2014). Muitos estudos têm relacionado dietas altamente calóricas com diminuição da memória contextual e espacial em experimentos com camundongos (Valladolid-Acebes et al., 2011; Kosari et al., 2012). Provavelmente o resultado destas alterações de memória pode ser induzido pela ação dietética na plasticidade sináptica do hipocampo (Molteni et al. 2002; Wu et al. 2004). Contudo, embora existam especulações variáveis relativas aos mecanismos dos efeitos de dietas hipercalóricas sobre a memória e o hipocampo, é possível que a DHL e a obesidade possam induzir déficit cognitivos por processos inflamatórios neuronais (Wang et al., 2016). A DHL pode resultar em aumento sistêmico de citocinas pró-inflamatórias, como interleucina 1² (IL-1²), interleucina 6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral ± (TNF±, tumor necrosis factor ±), e também aumento da via inflamatória de sinalização nuclear do fator ºB (NFºB, nuclear factor ºB), perifericamente ou no cérebro (Wang et al., 2016). Esse perfil pró-inflamatório parece ser uma causa ou consequência da obesidade (Miller e Spencer, 2014). Ademais, camundongos machos (C57BL/6) com 6 semanas de vida expostos a DHL por ± 3 meses, exibiram regulação negativa ("downregulation") de alguns fatores neurotrópicos, tais como: fator de crescimento neuronal ² ou "neuronal growth factor ² (NGF²)" e o fator neurotrófico derivado do cérebro ou "brain derived neurotrophic factor (BDNF)" (Wang et al., 2016). Segundo estes autores, resultados que podem fornecer pistas potenciais para uma estratégia terapêutica e preventiva do declínio cognitivo induzido por DHLs (Wang et al., 2016). O BDNF é uma proteína neurotrófica com função de promover a sobrevivência, diferenciação e proliferação de células neurais. Estudos também demonstram que o BDNF está envolvido com sinapses de longa duração (Panja e Bramham, 2014), sintomas depressivos (Zhang et al., 2014), neurogênese (Liu e Nusslock, 2018) e a memória associada ao hipocampo (Bekinschtein, Cammarota e Medina, 2014). Ademais, alterações no BDNF hipocampal, na aprendizagem espacial e na memória de trabalho, avaliada através do teste comportamental Morris Water Maze (MWM), são exibidas por roedores expostos a DHL (Kanoski et al., 2007; Kim e Park., 2010; Noble et al., 2014). Estas possíveis alterações comportamentais e dos níveis/expressão de BDNF podem estar correlacionadas a mecanismos inflamatórios e de estresse oxidativo no tecido neural. Neste contexto, estudos com roedores demonstram que o consumo em excesso de DHL pode promover estresse oxidativo hipocampal. Camundongos machos expostos a DHL por 12 semanas apresentaram diminuição da enzima antioxidante "superoxide dismutase"(SOD), aumento do marcador de estresse oxidativo Malondialdeído (MDA) no hipocampo e déficits em comportamentos relacionados à memória espacial e aprendizado, avaliados no MWM (FangFang et al., 2016). Outro estudo recente demonstrou que o consumo de DHL por 4 semanas aumentou os níveis de glutationa oxidada (GSSG), diminuiu os níveis de glutationa reduzida (GSH) e da razão de GSSG/GSH e aumentou os níveis de "Thiobarbituric acid reactive substances" (TBARS) no hipocampo de ratos (Alzoubi et. al, 2018). Essas evidências indicam que o consumo de DHL pode induzir aumento nos níveis de agentes oxidativos e diminuição de agentes antioxidantes comprometendo funções cognitivas relacionadas ao hipocampo. Assim sendo, faz-se necessário investigar os eventuais efeitos de dietas hiperlipídicas durante os períodos de gestação e lactação sobre o desenvolvimento encefálico/cognitivo da prole adulta, averiguando aspectos relacionados ao BDNF, estresse oxidativo e via inflamatória no hipocampo.

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