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Descolonização e práticas de cura nos Andes bolivianos: seres-terra e conhecimento Ukamaw

Processo: 18/04426-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de abril de 2019
Vigência (Término): 31 de outubro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Etnologia Indígena
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Marina Vanzolini Figueiredo
Beneficiário:Brett Alan Buckingham
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Ontologia (filosofia)   Descolonização   Colonização   Conhecimento

Resumo

Os yatiris aymara (conhecidos como curanderos ou maestros em espanhol) e seus aprendizes (soldados) têm ocupado um papel proeminente no debate público na Bolívia em torno da noção de descolonização, reivindicando que o colonialismo deve ser compreendido como uma doença espiritual, e a descolonização, como a sua cura. Este projeto parte da necessidade de levar a sério a proposta nativa de tomar essa forma de cura como prática de descolonização, investindo num estudo etnográfico sobre o modo em que os yatiris e os soldados aymara compreendem e se relacionam com personagens centrais para as suas práticas de cura, os "seres-terra" (de la Cadena 2015), entidades que para o olhar ocidental são elementos da paisagem, como montanhas, pedras e lagos. A aposta é que tal análise nos permita entender a ação relacional de descolonização como uma prática cosmopolítica (Stengers 2010). Instigado pela centralidade desses seres-terra nas práticas de cura e pela articulação da noção de descolonização à de mayisthapita, que se refere à experiência de "estar conectado" aos seres outros-que-humanos, esta pesquisa, que emerge de uma experiência de campo prévia, realizada durante a graduação, se desenha como uma investigação acerca da concepção de política explorada pela conceitualização aymara de conhecimento. Esta última estaria baseada na distinção entre conhecimento conceitual (siwsawi), adquirido através da linguagem, e conhecimento experiencial (ukamaw), adquirido por meio da participação ativa em ensinamentos ancestrais e práticas de cura.