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Quais corpos para quais técnicas: da himenolatria aos especialistas em sexologia forense

Processo: 18/26728-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de maio de 2019
Vigência (Término): 30 de abril de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia
Pesquisador responsável:Lilia Katri Moritz Schwarcz
Beneficiário:Larissa Nadai
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Medicina legal   Sexualidade   Corpo   Arquivos

Resumo

Este projeto de pesquisa tem por intuito colocar sob exame os manuais de medicina legal e publicações acadêmicas sobre sexologia forense, publicados entre os anos de 1900 e 1940. Imerso em estudos antropológicos mais amplos de produção do conhecimento e artefatos escritos, esta investigação dará atenção a conceitos, teorizações e terminologias cristalizadas por esses textos. O propósito é perseguir as ressonâncias e efeitos que este importante lastro acadêmico teve (e tem) em exames de conjunção carnal, bem como em pesquisas elaboradas por pesquisadores contemporâneos sobre o tema. Ao buscar explorar a inusitada centralidade que uma fina e desimportante membrana - o hímen - ganhou nesse campo disciplinar, também tomo como objeto de análise uma densa produção técnica e científica realizada por Afrânio Peixoto. Tal escolha responde aos mais de dois mil e setecentos himens por ele inspecionados, os quais renderam a ele a pecha de o grande especialista nos rasgos, formatos e desenhos impostos à membrana. Ao fazer tais opções analíticas e metodológicas, procuro desdobrar e dar continuidade aos achados etnográficos de minha tese de doutorado, que buscou explorar como os saberes médico e policial simultaneamente materializavam vestígios e corpos - sexualizados e sexualizáveis - por meio da produção de laudos e procedimentos médico-legais. Atinada a uma composição variada de arquivos pessoais, burocráticos e ceroplásticos, e inspirada pelas reflexões de Olívia Cunha (2004: 296), objetivo analisar como "certas narrativas profissionais" são forjadas mediante "um intenso diálogo envolvendo imaginação e autoridade intelectual". Nesse sentido, o lugar de especialista destinado a Peixoto, mas edificado por meio de uma vasta produção sobre sexologia forense publicada no Brasil, exige a essa pesquisa um duplo movimento etnográfico. Por um lado, intento questionar quem "tem [o] poder de tornar visível e (...) tem [o] poder de olhar" (KAPSALIS, 1997: 7) os órgãos sexuais femininos como objeto de estudos. E, de outro lado, atenta às distintas formas de materialização impostas aos corpos mediante a articulação de diferentes eixos de diferenciação - gênero, sexualidade, raça, classe, nacionalidade - pergunto quais corpos e sujeitos foram, simultaneamente, tomados como plataforma de pesquisa e espetáculo na consecução destas práticas de conhecimento.