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Repetição no cinema brasileiro moderno

Processo: 18/03705-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de abril de 2019
Vigência (Término): 31 de maio de 2022
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Cinema
Pesquisador responsável:Cristian da Silva Borges
Beneficiário:Alexandre Wahrhaftig
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Cinema brasileiro   História do cinema   Teoria do cinema   Crítica   Tempo

Resumo

Diferentes filmes de cineastas da geração do cinema novo e do cinema marginal no Brasil, ao longo das décadas de 60 e 70, apresentaram estruturas, formas e narrativas que incorporam a figura da repetição temporal em seu interior. A partir da hipótese de que há uma relação profícua entre a forma da repetição e a estética de autores como Rogério Sganzerla, Andrea Tonacci e Glauber Rocha, entre outros, buscamos delinear e analisar que efeitos e pensamentos a repetição produz no cinema do período, tanto através da análise imanente dos filmes quanto em cotejo com a história das formas de repetição no cinema. Em primeiro lugar, marcamos a postura agressiva no uso reiterado de repetições, que se encaixa nas violentas propostas (programáticas ou não) da estética da fome e da estética do lixo. Além disso, a repetição, potencialmente, traz o material fílmico para o primeiro plano. Ela tanto evidencia a estrutura de montagem das obras ao fragmentar as narrativas, quanto acentua a "natureza" repetitiva dos fotogramas do aparato cinematográfico e também do processo de ensaios e retakes envolvidos no trabalho de cinema. Repetição e metacinema caminham juntos em muitos filmes do período. Um terceiro ponto é a ênfase na fisicalidade presente nos filmes, seja por erotismo, seja por escatologia e agonia (marcas do cinema marginal). A repetição, nesse ponto, perpassa o comportamento performático dos corpos dos atores, que entram em estados próximos ao transe, repetindo gestos e falas incessantemente. Por fim, o desafio é compreender as pontes entre as inúmeras formas de repetição e o pensamento que os filmes elaboram ou somatizam a respeito do tempo histórico em que estão inseridos e com o qual dialogam, colocando em questão a relação entre repetição e história, cinema e tempo. (AU)