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Como as onças se movimentam na paisagem? Análises de seleção de habitat considerando movimento e tempo de residência e sua aplicação na ecologia e conservação da Onça-Pintada (Panthera onca)

Processo: 18/24891-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado Direto
Vigência (Início): 01 de junho de 2019
Vigência (Término): 30 de setembro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Ecologia
Pesquisador responsável:Paulo Inácio de Knegt López de Prado
Beneficiário:Alan Eduardo de Barros
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Ecologia da paisagem

Resumo

Movimentar-se é uma característica comportamental básica presente na maioria das espécies animais, e que lhes permite procurar e encontrar locais com melhores condições para reprodução e sobrevivência. Por isso, entender o porquê, como e onde os animais se movem é de grande valor para compreensão da ecologia e comportamento de indivíduos, e como esse reflete ao nível de espécies e comunidades. A identificação de padrões de movimentos pode auxiliar também na avaliação de impactos humanos e de mudanças ambientais, assim como na elaboração de planos para conservação e manejo da fauna. Os carnívoros, de maneira geral, necessitam percorrer grandes áreas em busca de presas, o que os torna mais suscetíveis a conflitos, assim como aos impactos negativos das atividades humanas, podendo ter sua movimentação alterada e até mesmo reduzida em até um terço. A Onça-Pintada (Panthera onca) é o maior predador neotropical, exibindo movimentos diários que podem passar de 30 Km de distância e com áreas de uso que podem chegar a cerca de 2143 km2. Dessa forma, a fragmentação e destruição de habitats, os conflitos diretos e indiretos com humanos (como caça direta das onças ou gerando depleção de suas presas), representam uma ameaça à espécie que atualmente ocupa cerca de 46% a 51% do tamanho original e é oficialmente classificada pela IUCN como quase-ameaçada, embora seja reconhecida como criticamente ameaçada em regiões como Caatinga e Mata Atlântica. O capítulo 1 aborda como a qualidade de habitat e da paisagem, assim como os impactos humanos, podem afetar a movimentação da Onça-Pintada. O objetivo principal é identificar o uso de habitat e as variáveis ambientais e antrópicas que influenciam a movimentação das onças na paisagem, buscando entender também como essas variáveis afetam indivíduos de diferentes categorias (de acordo com sexo, idade, biomassa e status de residência) e também por região. O capitulo 2 investigará indicações de um comportamento exploratório ótimo das onças, isso é, se elas utilizam com maior intensidade áreas que podem ter melhor custo-benefício. Mais especificamente, esse capítulo objetiva investigar a relação das áreas com maior tempo de residência com: o estabelecimento e tamanho das áreas de uso, as variáveis ambientais, antrópicas, e referente a disponibilidade de presas e densidades de coespecíficos. Almeja ainda entender se esse comportamento tem relação com diferentes categorias de indivíduos e locais. Serão empregadas análises integradas de seleção de habitat e indicando modificações de comportamento, considerando movimentos (integrated Step Selection Functions - iSSFs) e Tempo de Residência (Residency Time - RT) como ferramentas para analisar um banco de dados de 117 Onças-Pintadas, provenientes de 22 sítios de monitoramentos distribuídos em 5 países diferentes da área de ocorrência da espécie. Através deste estudo, procuramos entendimento de como as onças-pintadas utilizam seu habitat e se comportam em relação a variáveis ambientais e antrópicas, assim como, da mecanística de movimentos, por trás desses desses processos. Além disso, esperamos respostas acerca de diferenças individuais ou de categorias de grupo (e.g. machos e fêmeas, idade, tamanho, etc) com relação a seleção de habitat, padrão de movimentos e residência. Acreditamos que nossos estudos trarão informações importantes acerca do comportamento das Onças-Pintadas, contribuindo para cobrir lacunas ainda existentes acerca do conhecimento da espécie, e que tem aplicação direta em planos de conservação, assim como na orientação de pesquisas futuras com esse enfoque. (AU)