Busca avançada
Ano de início
Entree

Policiais mais valorizados profissionalmente estão mais dispostos a oferecer um melhor atendimento para a sociedade?

Processo: 19/09663-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2019
Vigência (Término): 30 de junho de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Sergio França Adorno de Abreu
Beneficiário:Fernanda Novaes Cruz
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/07923-7 - Núcleo de Estudos da Violência - NEV/USP, AP.CEPID
Assunto(s):Violência   Polícia militar   Segurança pública   Qualidade de vida   Legitimidade   Rio de Janeiro

Resumo

A segurança pública é definitivamente um dos assuntos mais discutidos atualmente no país. Dentre a gama de discussões e temas explorados na área, a saúde e qualidade de vida do profissional de segurança pública ainda é um tema pouco explorado. Ao mesmo tempo, a carreira policial é constantemente sujeita a riscos e perigos. Além da exposição diária a situações violentas, esses profissionais estão expostos a tensões, transtornos à saúde e outras consequências, como homicídios e suicídios (Silveira e Medeiros, 2016). A visão instrumental da sociedade do policial como um produtor de segurança pública seria uma explicação para a pouca atenção dispensada ao tema (Minayo e Adorno, 2013). Mas, quais seriam os impactos da saúde e das percepções acerca da valorização profissional para as corporações e para a sociedade? A percepção de pouco reconhecimento por parte da sociedade do trabalho policial pode comprometer a imagem desses policiais perante seu trabalho, o que pode influenciar os comportamentos e as vivências desses indivíduos (Gomes e Souza, 2012). Bezerra, Minayo e Constantino (2007) apontam que a negativa opinião pública sobre o trabalho policial implica em sofrimento no trabalho pela falta de reconhecimento social. As percepções negativas da sociedade acerca da polícia relacionam-se a um controle violento da ordem pública como um mecanismo de contenção do crime (Adorno, 1998). Internamente, essas polícias não experienciaram mudanças estruturais desde o regime militar. Muitas vezes, os indivíduos perpetuadores de práticas violentas na sociedade são igualmente expostos à diversas formas de violência no interior das instituições. Desigualdades a partir da posição do sujeito na hierarquia da carreira, atribuições de autoridade e regulamentos disciplinares diferenciados, e a ausência de padronização das práticas policiais seriam alguns dos reflexos da falta de modernização das instituições policiais (Azevedo, 2016). Em um esforço de compreender os determinantes do uso da força policial pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Magaloni e Cano (2016) aplicaram 5.167 questionários com policiais militares cariocas. Para os autores, policiais que se sentiam mais desrespeitados e os policiais que não sentem orgulho do seu trabalho, apoiavam mais a lógica de guerra. A proposta desse projeto é analisar a construção da legitimidade a partir das percepções dos policiais. A pergunta que move esse projeto é se esses profissionais experimentam no seu cotidiano de trabalho as dimensões sob as quais o trabalho da polícia precisa se estruturar na sociedade. O projeto pretende testar se elementos socioeconômicos, características profissionais e as percepções que os policiais têm de seu trabalho, podem influenciar às percepções que eles têm do desempenho de seu trabalho e do seu contato com a sociedade. Espera-se construir modelos para analisar o impacto desses fatores nas percepções que os policiais possuem do seu trabalho. Busca-se mapear as características que apresentam maior e menor influência com as percepções mais combativas, relacionadas ao enfrentamento e ostensividade e as que se aproximam de percepções mais garantistas, como o policiamento comunitário. Através de análise exploratória descritiva inicial do banco de dados do CEPID, oriundo do questionário aplicado na Polícia Civil e Militar de São Paulo, serão selecionadas as variáveis que dialoguem com a literatura e a discussão apresentada. As variáveis serão testadas a partir de cruzamentos básicos visando a composição dos modelos. A seguir, pretende-se realizar um estudo comparativo com o caso do Rio de Janeiro. Busca-se a partir de variáveis compatíveis, encontrar semelhanças e diferenças entre distintas realidades. Para tal, será utilizado o banco de dados produzido por Magaloni e Cano (2016) no âmbito da pesquisa do uso da força aplicado para a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. (AU)