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Revolução e fotografia em perspectiva comparada: a obra de Tina Modotti no México (1923-1930) e Alberto Korda em Cuba (1959-1968)

Processo: 19/09422-1
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2019
Vigência (Término): 31 de julho de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História da América
Pesquisador responsável:Mariana Martins Villaça
Beneficiário:Vinicius Lourenço Barbosa
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Assunto(s):Fotografia   Revolução   Política cultural

Resumo

O objetivo desta pesquisa é analisar historicamente, em perspectiva comparada, as fotografias realizadas por Tina Modotti (1923-1930), no México, e por Alberto Korda (1959-1968), em Cuba, nos contextos políticos que se seguiram às revoluções vividas por esses países. Ambos fotógrafos se tornaram referências da história visual produzida nos contextos de institucionalização das respectivas revoluções e suas obras dialogaram com elementos identitários associados à "mexicanidade" e à "cubanidade", tal como essas construções eram então pensadas pelos projetos de política cultural vigentes, e debatidas intensamente no meio cultural. Ambos viveram trajetórias profissionais iniciadas como fotógrafos fora do campo político e passaram a encampar, cada um a seu modo, os discursos sobre as transformações proporcionadas pelas revoluções nesses países, experimentando um gradual engajamento político. Suas obras trazem representações dos processos históricos nos quais estiveram inseridos, ecoando dilemas e debates sobre o papel da fotografia em cada contexto. Dialogam com a publicidade, o fotojornalismo, as vanguardas artísticas, assumindo elementos de experimentalismo artístico e engajamento político, os quais serão analisados em cada contexto e comparativamente, na perspectiva de refletirmos sobre as vertentes estéticas e os marcos políticos dessas produções em dois contextos revolucionários distintos porém atravessados por dilemas comuns no tocante ao papel do artista e à reconfiguração da identidade nacional. México e Cuba viviam as consequências de processos revolucionários que implicaram a instauração de novos governos e projetos de Nação, em meio aos quais artistas, intelectuais e governantes buscaram definir os parâmetros da política cultural. Deste modo, as fotografias serão analisadas como documentos históricos considerando a relação desses fotógrafos com os novos poderes instituídos, com a militância comunista, com as redes de sociabilidade às quais pertenceram e com os debates sobre política cultural e sobre os rumos da revolução em cada país. Acreditamos que a análise comparada das representações das revoluções e do povo presentes em suas fotografias, bem como o enfoque de questões comuns às trajetórias profissionais de ambos nos permitirão refletir sobre o que há de semelhante e diferente no tocante aos dilemas, aos desafios e aos paradigmas de arte "revolucionária" presentes em dois impactantes processos revolucionários na América Latina, no século XX, ambos marcados por intensa adesão e candentes polêmicas por parte de intelectuais e artistas. Também acreditamos que a comparação tornará possível delinear as permanências e mudanças nos diálogos estéticos que balizaram as obras desses dois famosos fotógrafos (separadas temporalmente por cerca de 30 anos) a fim de refletir sobre a existência ou não de um repertório visual consolidado, de cunho social, ou uma tradição de "representações de Revolução" na América Latina. Por fim, o estudo comparativo que propomos fazer também pretende contribuir para as reflexões historiográficas acerca das relações entre arte e poder, no contexto das Revoluções em questão. (AU)