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Considerando pessoas como subordinadas: desigualdade e subordinação social

Processo: 19/11988-3
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 11 de outubro de 2019
Vigência (Término): 10 de outubro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Ética
Pesquisador responsável:Ricardo Ribeiro Terra
Beneficiário:Lucas Cardoso Petroni
Supervisor no Exterior: Stephen Leicester Darwall
Instituição-sede: Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Yale University, Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:17/21346-3 - As reivindicações da injustiça: pobreza e opressão, BP.PD
Assunto(s):Pobreza   Desigualdade   Filosofia política   Coerção

Resumo

A pesquisa tem como objetivo geral contribuir para o debate contemporâneo sobre as bases normativas da justiça igualitária. Em sua fase atual, a ser desenvolvida neste projeto, a pesquisa almeja responder a seguinte pergunta: o que há de errado com a pobreza de um ponto de vista normativo? A minha hipótese central de trabalho é a de que, em um sistema econômico de propriedade privada, a privação material severa constitui uma forma específica de opressão e que essa opressão pode ser caracterizada nos termos de uma moralidade construtivista. Diferentemente das abordagens mais comuns sobre a pobreza na filosofia política contemporânea, as quais identificam a pobreza ou como um problema meramente humanitário, ou como um problema de violação de direitos, a pesquisa procura mostrar como a privação de recursos materiais pode fornecer os requisitos suficientes para relações de subordinação social. A pesquisa é estruturada em duas etapas principais: (i) compreender a divisão, nas teorias da justiça, entre visões distributivas e relacionais acerca do valor da igualdade, e (ii) oferecer um modo analiticamente adequado de conceituar a pobreza do ponto de vista igualitário. Procurarei mostrar que a falta de controle pessoal sobre recursos econômicos em contextos de propriedade privada caracteriza um caso de subordinação social injusta. A teoria da moralidade de segunda pessoa, desenvolvida por Stephen Darwall, será particularmente importante, na medida em que ela é capaz de fundamentar argumentos normativos em bases intersubjetivas. Uma moralidade de segunda-pessoa nos permite distinguir duas dimensões diferentes, e irredutíveis entre si, da injustiça econômica: a reivindicação normativa que a pobreza coloca enquanto um problema ético, de um lado, e a reivindicação que as pessoas em situação de pobreza fazem para nós, enquanto pessoas iguais em respeito, de outro.