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Scientia Brasiliae: cientistas germanófonos no Brasil (1894-1929)

Processo: 19/18641-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2020
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2022
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Teoria Antropológica
Pesquisador responsável:Marta Rosa Amoroso
Beneficiário:Erik Petschelies
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História da antropologia   História intelectual   Etnografia   Cientistas   Língua alemã   Museus   História do Século XVIII   Século XIX   Pará   São Paulo   Brasil

Resumo

As chamas que consumiram o Museu Nacional do Rio de Janeiro em setembro de 2018 não destruíram apenas o edifício histórico e seu acervo, mas também a documentação que testemunhava o início da Ciência brasileira praticada neste museu. No momento atual, em que a Ciência brasileira sente as consequências do desastre do Rio de Janeiro e da perda de sua documentação, ao mesmo tempo em que assiste ao progressivo desmoronamento do apoio aos museus, este projeto se volta ao nascimento das instituições museológicas no país ao refletir sobre a rede internacional de naturalistas de língua alemã responsável pelo estabelecimento das Ciências da natureza nos museus brasileiros. A pesquisa abordará o período entre 1894, quando dois zoólogos assumiram a direção de dois museus de história natural e etnografia, o alemão Hermann von Ihering (1850-1930) em São Paulo e o suíço Emílio Goeldi (1859-1917) em Belém, e 1929, ano da morte da ornitóloga alemã Emilie Snethlage (1868-1929). Neste interregno mais de vinte naturalistas germanófonos estiveram ligados a essas instituições, sendo que alguns deles também coletaram material etnográfico. A análise de suas correspondências e dos relatos, que revelam o modo de operação dos museus, a dinâmica científica interna, e suas conexões internacionais, ainda é inédita. Portanto, o objeto de investigação é a história institucional e intelectual dos cientistas germanófonos, especialmente no Museu Paraense Emílio Goeldi e no Museu Paulista. A pesquisa se debruçará sobre a compreensão da configuração da rede de relações entre diversos agentes de língua alemã, como diretores, cientistas naturais e coletores privados, e de seus efeitos para a Ciência produzida nos museus brasileiros. A hipótese é que essas relações sociais tiveram impacto direto na coleta de espécimes, de objetos etnográficos e na produção científica em geral. A investigação é suportada por um método historiográfico-crítico de análise de documentação primária nunca antes estudada e que foi escrita em alemão cursivo. O objetivo é contribuir para a antropologia e historiografia da Ciência no Brasil, e para a história da etnografia e das coleções museais. (AU)