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Uma fronteira móvel: trânsito e migração indígena na fronteira Brasil/Guiana Francesa

Processo: 19/18255-1
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 24 de abril de 2020
Vigência (Término): 23 de outubro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Teoria Antropológica
Pesquisador responsável:Artionka Manuela Goes Capiberibe
Beneficiário:Artionka Manuela Goes Capiberibe
Anfitrião: Nancy Scheper-Hughes
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Local de pesquisa : University of California, Berkeley (UC Berkeley), Estados Unidos  
Assunto(s):Etnologia indígena   Fronteiras   Migração   Brasil   Guiana Francesa

Resumo

A fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa, localizada numa região amazônica à margem (no sentido proposto por Veena Das & Deborah Poole) dos grandes centros de decisões políticas, é habitada por uma multiplicidade étnica e cultural da qual faz parte os Palikur, população indígena que fala uma língua da família maipure-arawak e que vive nesta região há séculos. Desde o estabelecimento da fronteira, em 1900, os Palikur passaram a habitar dois países bastante distintos, Brasil e França, e a ser submetidos a suas políticas de controle e migração. Mas, a despeito disso, não cessaram de se movimentar pela região e de realizar constantemente novas migrações. Olhando para os modos pelos quais essa população lida com as regras e limites impostos pelos dois estados-nação, materializados numa burocracia de documentos, esta pesquisa, baseada em trabalho de campo realizado em 2017, tem como objetivo principal compreender como as relações políticas (dentre elas as políticas de Estado), econômicas e sociais que se observam nessa microrregião afetam a vida dos Palikur e, principalmente, de que modo eles intervêm nessas relações por meio de suas próprias prerrogativas sociocosmológicas e ação cosmopolítica. A hipótese central da pesquisa é a de que esse espaço de fronteira - no qual habitam ou circulam cerca de 40 mil pessoas - é formado por uma socialidade singular, resultado de seu lugar periférico em relação aos dois países que o constituem, e também da grande diversidade de populações que o habitam. A pesquisa irá explorar três categorias heurísticas: fronteira, trânsito e migração. É sobre a polissemia dessas categorias e o transtorno dos sentidos a elas atribuídos, que esse projeto irá se debruçar, buscando pensar o lugar dos Palikur no contexto do baixo rio Oiapoque também à luz de outras situações de fronteira.