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A alteridade na escolarização de imigrantes: entre silenciamento e barulho

Processo: 19/12316-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2020
Vigência (Término): 30 de abril de 2023
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia
Pesquisador responsável:Miriam Debieux Rosa
Beneficiário:Joana Sampaio Primo
Instituição-sede: Instituto de Psicologia (IP). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Psicanálise   Educação   Escolarização   Escola pública   Língua falada   Imigrantes   Transtornos mentais   Transtorno do espectro autista   São Paulo (SP)

Resumo

O presente projeto de pesquisa visa investigar, em escolas municipais da cidade de São Paulo, os efeitos subjetivos e institucionais dos discursos que incidem sobre os estudantes imigrantes e filhos de imigrantes. Temos como hipótese que estes estudantes estão sendo colocados, predominantemente, no lugar de quem não compartilha os mesmos códigos, de quem não faz parte do mesmo grupo, de quem não fala a mesma língua e, por isso, de quem pode acabar por materializar em seu corpo a posição de estar sempre a parte, materialização acompanhada do crescente aumento de diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista em populações imigrantes na cidade de São Paulo. Organizamos nossa investigação em três etapas principais: primeiro, na produção do silenciamento, sintoma principal que vem sendo acompanhado na cidade de São Paulo e em outros países, que precisa abranger uma discussão sobre língua, linguagem e fala; segundo, na retomada dos conceitos psicanalíticos fundamentais que nos apoiam em nossa pesquisa e nos fazem caminhar no sentido de elaborar práticas clínico-políticas (Rosa, 2016) em escolas, e, por fim, na retomada de estudos sobre a construção da figura do imigrante, uma vez que sabemos que os deslocamentos inter-territórios nem sempre foram tomados como movimentos migratórios, pretendemos relacionar a esse estudo as discussões sobre as escolas na modernidade, centrando-nos nas especificidades do caso brasileiro. Para tanto, caminharemos a partir de duas vertentes de trabalho, que estarão ocorrendo simultaneamente durante todo o processo: na primeira, retomaremos e atualizaremos a pesquisa bibliográfica pertinente ao tema (linguagem, psicanálise implicada, imigração, alteridade, educação e modernidade), e, na segunda, tomaremos o material proveniente de nossas intervenções clínico-políticas nas escolas municipais da cidade de São Paulo e da França como fragmentos clínicos recolhidos a partir da escuta psicanalítica do campo. Entendemos que este processo metodológico possibilita, ao mesmo tempo, uma pesquisa histórica e bibliográfica que situa suas bases de análise e se coloca à prova da realidade (Foucault, 2000). (AU)