Busca avançada
Ano de início
Entree

Sobre a gênese das teorias do restauro arquitetônico: de Palladio ao restauro arqueológico

Processo: 19/16329-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de junho de 2020
Vigência (Término): 31 de maio de 2022
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Joubert José Lancha
Beneficiário:Maíra de Luca e Lima
Instituição-sede: Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAU). Universidade de São Paulo (USP). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Renascimento   Arqueologia   Restauração   Idade Média

Resumo

Na transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, no século XIV, se configura um período demarcado em grande medida por modificações artísticas, sociais, políticas e econômicas, esboçando a constituição de uma nova linguagem artística. Os humanistas tiveram, aqui, grande papel frente às transformações que sustentaram a base ideológica do movimento renascentista, uma vez que propuseram uma nova leitura da civilização cristã na qual infundiram uma nova consciência ligada ao homem, não mais a um Deus supremo e centro de toda e qualquer medida do Universo. Uma cultura na qual predominava ordem e liberdade de espírito humano, do racional e da natureza, na qual a arte inspirava-se nos modelos clássicos. O intelectual que se forma está inserido em um novo cenário urbano e deseja distinguir-se do trabalhador medieval ligado às corporações de ofício, uma vez que, agora, arte e ciência partilham do mesmo âmbito de pesquisa e erudição. Os arquitetos do Renascimento iluminando essa prerrogativa, fazem do texto escrito e do desenho importantes aliados para suas concepção teóricas e práticas; assim como para a difusão de suas ideias e projetos. Neste projeto enfocaremos a tratadística clássica, mais especificamente o tratado de Andrea Palladio, publicado ela primeira vez em 1570, verificando a importância de sua contribuição para fomentar alguns princípios das teorias de restauro arquitetônico. No I quattro libri della'Architettura, Palladio não só define uma teoria geral mas estabelece, à luz de seu percurso e daqueles arquitetos e tratadistas antecessores, as questões prioritárias para a formação de um arquiteto. Entre elas o olhar (medindo e desenhando) para as ruínas e arquitetura do passado. O quarto livro do tratado, objeto mais específico dessa pesquisa, é a recolha e mostra, com textos e desenhos, dos templos romanos que visitou. Ao estudar, observar, medir e apresentar com desenhar desenhos as obras da Antiguidade Clássica, Palladio perpetua e difunde o interesse de arquitetos, arqueólogos, historiadores e artistas neoclássicos pelas obras da Antiguidade. Nesse momento, já no século XVIII, a arqueologia surge como disciplina e Roma torna-se centro internacional de estudos e difusões de ideias. Mais adiante, já no século XIX, com o restauro surgindo como disciplina e sendo praticado de forma sistemática, a atenção volta-se ao restauro arqueológico, uma vez que é o primeiro a surgir (surge na Itália e é seguido pelo restauro estilístico - França, restauro romântico - Inglaterra e restauro moderno - Itália). Ainda, esse primeiro restauro volta-se à Arquitetura Clássica e passa a conservá-la baseado em estudos científicos, escavações, levantamentos gráficos, estudo do local, anastilose e distinção dos materiais. Para estabelecer essa aproximação, a presente pesquisa utilizará dos métodos de pesquisa da história, com ênfase na Arquitetura e Urbanismo, justificando-se no fato da história ser feita por tempos e periodicidades que se relacionam, na qual há rupturas e continuidades, em grandes ou pequenas escalas. (AU)