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Público e privado: debate contemporâneo no Brasil

Processo: 20/04557-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de maio de 2020
Vigência (Término): 30 de abril de 2021
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Leandro Silva Medrano
Beneficiário:Marina Sadala Borges
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:16/22704-8 - Arquitetura e urbanismo frente ao espaço social no Século 21: estratégias de segregação e táticas de apropriação, AP.TEM
Assunto(s):Arquitetura   Urbanismo   Espaço público   Espaço privado   Bibliografias   Pesquisa bibliográfica

Resumo

A pesquisa elege como tema a discussão do público e do privado no Brasil, não apenas no contexto da arquitetura e do urbanismo, mas essencialmente da constituição dessas duas esferas desde a sociedade colonial até os dias atuais. Partindo, portanto, de uma bibliografia clássica sobre o tema do público e do privado, o que inclui "A condição Humana" (1958), de Hannah ARENDT (2007), principalmente o capítulo "As esferas Pública e Privada", em que a filósofa irá analisar o surgimento dessas esferas na Antiguidade Clássica e a transformação dessas até a ascensão da sociedade moderna europeia. Passando também por Richard SENNETT (1998), "O declínio do homem público: as tiranias da intimidade", no qual o sociólogo se preocupa em compreender não apenas o declínio da vida pública, mas também sua constituição histórica, especificamente na formação de Londres e Paris enquanto cidades. A presença desses autores na bibliografia, apesar do recorte "debate no Brasil contemporâneo", se justifica pela sua importância na elaboração de conceitos e parâmetros que, apesar de eurocêntricos, também servem para dimensionar a discussão do público e do privado no Brasil. Em se tratando de autores brasileiros, Sérgio Buarque de HOLANDA (1996), com "Raízes do Brasil" (1936), e Fernando NOVAIS (1995), em "Cotidiano e vida privada na América portuguesa" (1995), são também considerados parte da bibliografia clássica do tema, e muito importantes para a compreensão desse debate na bibliografia recente. Em "Raízes do Brasil", Sérgio Buarque faz uma análise da sociedade brasileira em vários aspectos, já ressaltando o patrimonialismo presente nas instituições públicas, o que é posteriormente apontado por Novais, que parte de uma análise da sociedade colonial brasileira, percebendo o que ele conceitualiza como a inversão das esferas público e privado. A partir de Novais, ou mesmo simultâneo a ele, a bibliografia é constituída por autores como Vera da Silva TELLES (1990), Otília ARANTES (1993), Sérgio COSTA (1993), Roberto DAMATTA (1997), Teresa CALDEIRA (2000), entre outros, mas também por uma literatura mais recente acerca do tema como Paula MONTEIRO (2009), que em seu artigo "Secularização e espaço público: a reinvenção do pluralismo religioso no Brasil", discute a presença da religião e de instituições religiosas na constituição da esfera pública democrática no caso brasileiro, em contraposição ao paradigma da secularização weberiano, que entende o processo de modernização como a separação entre Igreja e Estado, sendo a religião cada vez mais restrita à vida privada. Assim, Monteiro mobiliza autores como Junger HABERMAS (1984) para compreender e traçar essas particularidades na relação entre espaço público e religião, uma análise muito rica para o debate do público e do privado no Brasil. A partir da revisão bibliográfica, tanto da literatura mais consolidada acerca do tema, como também da literatura mais recente, pretende-se entender o debate atual e traçar sua evolução, tendo em mente sua pertinência para o campo teórico e prático da arquitetura e do urbanismo.