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Compreendendo as reações locais induzidas pelos venenos de Loxosceles e suas principais toxinas

Processo: 20/03718-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2020
Vigência (Término): 31 de agosto de 2021
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Imunologia - Imunoquímica
Pesquisador responsável:Denise Vilarinho Tambourgi
Beneficiário:Bruna Fernandes Pinto
Instituição-sede: Instituto Butantan. Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:13/07467-1 - CeTICS - Centro de Toxinas, Imuno-Resposta e Sinalização Celular, AP.CEPID
Assunto(s):Inflamação   Venenos   Loxosceles   Toxinas   Tetraciclina   Queratinócitos   Expressão gênica

Resumo

Loxoscelismo é o quadro clinico causado pela picada de aranhas do gênero Loxosceles, cujo sintoma mais comum é a dermonecrose. O envenenamento pelas aranhas marrons pode causar sintomas mais severos como hemólise intravascular, coagulação intravascular e comprometimento da função renal, principal causa de óbito. A esfingomielinase D (SMase D) é o componente chave, presente no veneno e responsável por desencadear os sintomas cutâneos e sistêmicos, atuando na hidrólise da esfingomielina e de lisofosfatidilcolina. Essas enzimas são classificadas em classe I e II. Tais isoformas diferem não só em estrutra como também em atividade tóxica, sendo as enzimas de classe I mais tóxicas do que as de classe II. Resultados do nosso grupo demonstraram que o sistema complemento participa no desenvolvimento do loxoscelismo cutâneo por meio do recrutamento de neutrófilos, como conseqüência da geração de C5a e do complexo de ataque à membrana. Ensaios nos quais a depleção de Complemento foi promovida mostraram uma importante redução na infiltração de neutrófilos no local da lesão, embora tenham sido ainda observadas hemorragia e dissociação das fibras colágenas. No entanto, foi verificado que a expressão de metaloproteases de matriz extracelular, induzidas pelas esfingomielinases do veneno, seja possivelmente um dos principais fatores envolvidos na patogênese do loxoscelismo cutâneo. A super expressão de MMPs é descrita na literatura como fator importante na progressão de tumores, Arterosclerose, Aneurismas Aórticos e Asma. Todos esses aspectos tornam as MMPs importantes alvos terapêuticos para o desenvolvimento de drogas capazes de inibir suas atividades. Vários estudos têm demonstrado que a tetraciclina e seus derivados apresentam, além da atividade microbicida, propriedades imunomodulatória e ação inibitória sobre a produção de metaloproteases de matrix extracelular. Nossos experimentos com queratinócitos humanos, tratados com veneno da aranha marrom e com a tetraciclina, demonstraram a capacidade dessa droga em prevenir a morte celular e reduzir a secreção de MMPs. Testes in vivo com coelhos inoculados com veneno ou SMase D mostraram a eficácia do uso da tetraciclina no controle das lesões dermonecróticas. Esse conjunto de dados permitiu ao nosso grupo iniciar, no final de 2018, um ensaio de clinico de fase 3, para avaliar a capacidade de uma pomada de tetraciclina em controlar a lesão dermonecrótica produzida pela picada da aranha marrom em humanos. Diante desse contexto, o objetivo do presente estudo é analisar a expressão gênica em queratinócitos humanos em resposta à ação dos venenos de Loxosceles e das diferentes classes de SMases D, e sua modulação pelo uso da tetraciclina. Essas análises nos permitirão identificar os genes diferencialmente expressos, vias de sinalização (com foco em inflamação, apoptose, ativação de complemento, ADAMS e MMPs) envolvidos no desenvolvimento do loxoscelismo cutâneo. (AU)