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Caracterização da diversidade de receptores de células T presentes no sangue e na urina: correlação do grau ativação do sistema imune com parâmetros clínico-patológicos de pacientes com tumores superficiais de bexiga.

Processo: 20/14666-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2020
Vigência (Término): 30 de novembro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Genética - Genética Humana e Médica
Pesquisador responsável:Cibele Masotti
Beneficiário:Carolina Eva Padilha
Instituição-sede: Hospital Sírio-Libanês. Sociedade Beneficente de Senhoras (SBSHSL). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Neoplasias da bexiga

Resumo

A forma mais comum de câncer de bexiga é o tipo não invasivo, o qual não atinge o tecido muscular (non muscle invasive bladder cancer, NMIBC), correspondendo a cerca de 70-80% dos casos. O tratamento de NMIBC é cirúrgico (transurethral resection of the bladder, TURB), seguido por imunoterapia com a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin) em casos classificados como risco alto ou intermediário de recidiva do tumor. Essa classificação, assim como a escolha do tratamento, é baseada em critérios clínico-patológicos, como estadiamento T (da classificação TNM), grau histológico, presença/ausência de carcinoma in situ, número de tumores e tamanho do(s) tumor(es). Em torno de 30 a 40% dos pacientes não respondem ao tratamento com BCG e recidivam, com 10 a 25% progredindo para formas invasivas (MIBC). O sistema imune é central ao controle da progressão tumoral, o que explica o sucesso de imunoterapias usadas para o tratamento de NMIBC com BCG e MIBC metastático com inibidores de checkpoint imunológicos. Uma vez que tumores de bexiga tem alta carga mutacional, eles possuem maior chance de gerar neoantígenos. No entanto, para a ocorrência de uma resposta imunológica anti-tumoral e o êxito das imunoterapias, não só é importante que os neoantígenos sejam apresentados pelas células tumorais, mas também que os linfócitos T, por meio de seus receptores (TCRs, T cell receptors), os reconheçam. Os TCRs são expressos em linfócitos-T somente após o rearranjo das sequências genômicas e o processamento dos pré-mRNAs dos genes que os compõem, gerando TCRs com sequências únicas, específicas para o reconhecimento de cada antígeno. Após reconhecerem neoantígenos, as células-T sofrem expansão clonal, o que se reflete no aumento da representatividade de sequências de TCRs específicos (capazes de reconhecer esses neoantígenos) e, consequentemente, na diminuição da diversidade do repertório de TCRs no infiltrado tumoral, no sangue ou na urina dos pacientes, como vem sendo demonstrado na literatura para diferentes tipos tumorais. Portanto, acreditamos que uma menor diversidade (decorrente de uma maior clonalidade) de sequências de TCR de linfócitos no sangue e na urina de pacientes com NMIBC é evidência da ativação de uma resposta imune específica contra neoantígenos, interferindo diretamente na evolução tumoral. Por esse motivo, neste projeto de Iniciação Científica investigaremos se a ativação do sistema imune, medida pela diversidade de TCRs, pode ser observada no sangue e na urina de pacientes NMIBC e se está correlacionada a parâmetros clínico-patológicos de gravidade da doença. Esta proposta se encontra inserida dentro de dois projetos mais amplos sob supervisão da orientadora, em que se pretende avaliar a diversidade de TCR como biomarcador molecular prognóstico e de resposta à BCG, utilizando-se amostras menos invasivas de pacientes NMIBC. Numa primeira etapa deste projeto, para explorar a correlação entre diversidade e evolução tumoral, empregaremos pipelines computacionais em dados de TCR-seq de infiltrados tumorais de NMIBC já gerados pelo grupo de pesquisa. Numa segunda etapa, cuja coleta e processamento de amostras de uma nova coorte já foi iniciada, sequenciaremos o repertório de TCRs circulantes no sangue e na urina de aproximadamente 20 pacientes com NMIBC, submetidos à TURB no Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio-Libanês. Com os dados gerados nesta segunda coorte, pretendemos: (i) com uso de bioinformática, processar os dados e estimar a diversidade de TCRs, (ii) comparar as estimativas diversidades em sangue e urina, e (iii) explorar a correlação de diversidade com parâmetros clínico-patológicos. Esse estudo deverá contribuir para o desenvolvimento de futuros testes moleculares de predição de risco de recidiva da doença e consequente melhora na escolha terapêutica em NMIBC.