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Hollywood e a dramaturgia teatral moderna: trocas intermidiáticas e o dissenso no melodrama familiar dos anos 1950

Processo: 19/06863-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de novembro de 2020
Vigência (Término): 31 de outubro de 2023
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Cinema
Pesquisador responsável:Cecilia Antakly de Mello
Beneficiário:Fernanda Sales Rocha Santos
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Hollywood   Melodrama   Realismo

Resumo

A pesquisa pretende lançar um novo olhar para a relação entre a dramaturgia teatral moderna e realista norte-americana e algumas de suas adaptações para o cinema em Hollywood, entre o final dos anos 1940 e o início dos 1960. Esse é o período marcado pela crise do modelo de produção cinematográfica do sistema de estúdios até então vigente nos Estados Unidos. A intenção será desvendar como adaptações de textos teatrais de autores como Arthur Miller, Tennessee Williams e Eugene O'Neill, nesse período de crise, estabeleceram tensões dentro do gênero melodrama doméstico e familiar dos anos 1950, promovendo um dissenso (como propõe Jacques Rancière, 2010) estético e político dentro do discurso cinematográfico hegemônico do período, tanto no conteúdo, quanto na forma fílmica, que se apoia em sua natureza impura - no sentido Baziniano (2014) - para derivação de sentido. Nossa hipótese é a de que a adaptação fílmica das dramaturgias teatrais desses autores adensa a reflexividade do gênero melodrama e adiciona elementos de realismo aos enredos, iniciando um movimento de transformação e modernização do cinema norte-americano que culmina, em meados dos anos 1960, na mudança radical de paradigma estético-discursivo da Nova Hollywood. Por meio da intermidialidade como método histórico no campo dos estudos fílmicos - como vem sendo proposto de modo inovador por Lucia Nagib (2014) - partiremos das seguintes obras: A morte do caixeiro viajante (Death of a Salesman, László Benedek, 1951), Boneca de carne (Baby Doll, Elia Kazan, 1956) e Longa jornada noite adentro (Long Day's Journey into Night, Sidney Lumet, 1962), adaptações de Arthur Miller, Tennessee Williams e Eugene O'Neill, respectivamente. Advogamos a favor de que a intensa relação entre o teatro e o cinema a partir dos anos 1940 nos EUA promoveu mudanças relevantes na história do cinema de narrativa clássica. A pesquisa, então, enxerga uma espécie de retroalimentação entre cinema e teatro, capaz de promover, ao mesmo tempo, a modernização e o dissenso formal e discursivo em ambas as formas artísticas, a partir de suas relações intermidiáticas.