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Defaunação em assembleias de mamíferos de médio e grande porte no Antropoceno e a erosão de seus traços: uma análise quantitativa para biomas brasileiros

Processo: 19/27633-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2021
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Agrárias - Recursos Florestais e Engenharia Florestal - Conservação da Natureza
Pesquisador responsável:Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz
Beneficiário:Rafael de Menezes Gonçalves
Instituição-sede: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ). Universidade de São Paulo (USP). Piracicaba , SP, Brasil
Assunto(s):Ecologia   Conservação dos recursos naturais   Serviços ambientais   Antropoceno   Mamíferos   Espectros   Bioma   Análise quantitativa

Resumo

Os mamíferos são parte da megafauna e desempenham importante papel ecossistêmico. Nos últimos 500 anos, as assembleias desses animais vêm sendo reduzidas em larga escala nos Neotrópicos. Ações antrópicas estão entre as principais causas de ameaça e se dão na forma de deflorestação e fragmentação dos ecossistemas, o que leva ao esvaziamento das assembleias de mamíferos nas florestas e savanas tropicais do novo mundo. Essa perda de mamíferos pode impactar os processos evolutivos - morfologia e comportamento - levando à alteração da distribuição dos traços, que são as características das espécies que influenciam no funcionamento dos ecossistemas. Ecossistemas funcionando normalmente promovem serviços que atendem às necessidades humanas como: alimentos, água, combustíveis, ciclagem de nutrientes, produção primária, regulação do clima, de doenças, e serviços de caráter educacional e recreacional. Como exemplo do impacto dos traços no ecossistema e nos serviços ecossistêmicos, temos a dieta frugívora. A frugivoria contribui para a manutenção da dinâmica fitogeográfica de remanescentes florestais, os quais atuam no sequestro e estoque de carbono atmosférico, sendo importante, portanto, na regulação do clima e tendo impacto na agricultura. Assim, nosso trabalho tem por objetivo entender como a defaunação em assembleias de mamíferos ocorrida nos últimos 500 anos em biomas brasileiros afeta a distribuição do hipervolume dos traços das dimensões cranianas relativas à dieta e dos traços do espectro das dietas. Assembleias podem ser mensuradas pelo espaço hiperdimensional dos traços, e espera-se que assembleias íntegras possuam maior volume morfoecológico de traços do que assembleias defaunadas. Os dados serão analisados por Análises de Componentes Principais (PCA) seguido de uma análise de Convex Hull, que avaliará a perda de volume (morfológico e dietético) entre o valor histórico e o moderno. Para testar a diferença entre valores eco-morfométricos modernos (defaunados) e históricos (não-defaunados) serão obtidos os scores dos locais na ordenação (PCAs) e aplicado um teste de comparação de medida de tendência central pareado (e.g. teste t-Student) entre os scores modernos vs. históricos. Comparando esses valores, poderemos entender como a defaunação erode duas métricas que implicam no funcionamento dos ecossistemas. Por exemplo, a redução esperada do hipervolume das dimensões cranianas das assembleias implica no tamanho de presas consumidas ou de sementes dispersas. A viabilidade do projeto repousa no seu baixo custo já que os dados serão obtidos majoritariamente por meio de inventários disponíveis em literatura. Ainda, vemos nesse projeto um grande potencial de publicação em revista indexada e na geração de dados para o trabalho de conclusão de curso do proponente.