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Análise e quantificação de partículas microplásticas em sistema digestório de operárias campeiras de Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae)

Processo: 20/11075-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2021
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Biologia Geral
Pesquisador responsável:Fábio Camargo Abdalla
Beneficiário:Glaucia Isabel de Andrade Sebastião
Instituição-sede: Centro de Ciências Humanas e Biológicas (CCHB). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Sorocaba , SP, Brasil
Assunto(s):Sistema digestório   Microplásticos   Fluorescência   Microscopia de fluorescência   Abelhas   Hymenoptera   Apis mellifica

Resumo

Os microplásticos são partículas plásticas oriundas do processo de produção e descarte inadequado de objetos plásticos no ambiente, os quais são fragmentados a partículas menores do que 5 mm devido aos processos de degradação físico-químicos a que estão sujeitos na natureza. A produção de nanopartículas plásticas na indústria farmacêutica, de estética e de higiene pessoal potencializaram a dispersão e a quantidade dessas partículas a proporções preocupantes, estando presentes em praticamente todos os ecossistemas terrestres e aquáticos. Os efeitos deletérios dos microplásticos sobre a biota ainda estão sendo investigados, porém tais contaminantes podem liberar o toxicante Bisfenol A (2,2-bis(4-hidroxifenil)-propano), reduzir a absorção de nutrientes nos intestinos e potencializar o carreamento de substâncias poluentes orgânicas persistentes (POPs), tais como os metais traços, agrotóxicos e fármacos. Apesar das abelhas serem os principais agentes dos serviços de polinização e do seu crescente declínio populacional, estando muitas espécies ameaçadas de extinção, não há estudos da presença de microplásticos em seus intestinos, tampouco há estudos sobre o impacto dos microplásticos em sua saúde, apesar dos vários registros apontarem a presença desses contaminantes no mel e no pólen estocados na colônia. Portanto, pretende-se avaliar se há microplásticos no sistema digestório de operárias campeiras de Apis mellifera. Para isso, 70 indivíduos serão coletados em campo. Vinte abelhas coletadas terão seus aparelhos digestórios destinados exclusivamente à pesagem da massa fresca e seca para fornecimento do volume médio do tubo digestório, visto que esse valor será necessário para o cálculo da quantidade estimada de microplásticos por volume de intestino. As cinquenta abelhas operárias restantes terão seus aparelhos digestórios dissecados para digestão orgânica com solução de hidróxido de potássio e peróxido de hidrogênio. Por fim, essas amostras serão filtradas e submetidas a etapa de quantificação de microplásticos por tubo digestório, através de uma câmera de Neubauer. Frações das mesmas amostras serão coradas com Vermelho do Nilo para análise em microscopia de fluorescência, utilizando filtro de verde. Nessa etapa, o intuito será identificar e fotografar, de forma randomizada, 1000 partículas microplásticas para estimar o perfil químico dos microplásticos encontrados, ou seja, estimar através de índice de fluorescência a prevalência dos tipos de microplásticos presentes nos intestinos dessas abelhas, isto é, polares (nylon, PET) e hidrofóbicos (PE, PP, PS), segundo a metodologia empregada por Maes et al. (2017).