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Práticas semióticas e experiências de leitura: inscrições urbanas, gesto político e imagem da cidade.

Processo: 23/04805-5
Modalidade de apoio:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 20 de agosto de 2024
Vigência (Término): 19 de fevereiro de 2025
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Norma Discini de Campos
Beneficiário:Norma Discini de Campos
Pesquisador Anfitrião: Juan Angel Alonso Aldama
Instituição Sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: Université Paris Cité, França  
Assunto(s):Cidades   Leitura   Semiótica
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:cidades | inscrição urbana | Leitura | Lugares | Práticas semióticas | Semiótica

Resumo

Este projeto faz a ponte entre a semiótica discursiva (GREIMAS, 1983) e a semiótica das práticas (FONTANILLE, 2008) para pensar e operacionalizar o conceito de leitor como actante intérprete e coparticipante das práticas semióticas. Falamos de uma semiose em curso, o que leva a pensar no leitor como o actante constituinte de um conjunto significante formado pelos textos, pelos objetos-suporte, pelos fatores ambientais, entre outros, todos que fazem a semiose avançar no espaço do qual ela emerge. Dando relevo a um corpus constituído por inscrições urbanas, como o grafite e os murais urbanos, partimos do princípio de que as inscrições urbanas constituem uma prática semiótica. Trata-se de prática que envolve gestos peculiares de apropriação do espaço urbano, tanto do lado do grafiteiro ou muralista como do lado do transeunte que as contempla como seu intérprete. Se, ao falar de prática semiótica, necessariamente se evocam os fatores ambientais como um dos actantes que a compõem, e se, entre os fatores ambientais, está a organização física e social da cidade - ou sua morfologia - cabe ao analista investigar como a cidade, não só enquanto território demarcado, mas também como um conglomerado urbano de várias classes sociais, de hábitos e costumes, afeta a mesma prática. Segundo nossa hipótese, de um lado, as inscrições, com o sincretismo das linguagens (verbal, visual e outras) que as constitui , redesenham a cidade (Beyaert-Geslin, 2022b; Dondero, 2019; 2022). Para isso elas alteram a imagem ou a representação simbólica da cidade e promovem a emergência dos lugares que exercem função próxima daquela dos pontos nodais (Lynch, 2011), na organização do espaço urbano. De outro lado, a cidade redesenha os contornos das inscrições urbanas, o que nos faz aproximar de uma semiótica ecológica (Fontanille, 2018) ou de uma ecologia semiótica da cultura (Basso-Fossali, 2017). Para a reciprocidade de intervenções entre inscrição urbana e imagem da cidade, contribuem a diversidade - relativa, embora - da configuração arquitetônica dos bairros, a polissensorialidade eventualmente mutante entre eles, os ritmos variados do deslocamento do fluxo humano que eles costumam apresentar, as marcas visíveis do funcionamento diverso da estratificação social que os compõem, entre outros fatores que chegam a distingui-los como componentes da identidade da cidade. Entendemos que, no ato de redesenhar as inscrições urbanas, a cidade promove o adensamento sensível e moral da significação da própria prática. Os lugares fabricados por essa prática, que intervém no espaço urbano através de táticas peculiares de apropriação dele (Certeau, 1990), acabam por compor, segundo nossa hipótese, o adensamento sensível e moral da experiência de leitura. Para o viés moral e ético, criam-se, em tais lugares, condições para a emergência do gesto político (Aldama, 2018; 2023; Fontanille, 2021. Interrogar a função desempenhada pela inscrição urbana na formação da imagem plural, móvel e opaca da cidade e interrogar a função desempenhada pelos lugares urbanos na ordem interna das inscrições trará à luz a constituição do espaço urbano como um espaço praxeológico. Trata-se do espaço atravessado por acordos e desacordos que sustentam os conflitos políticos - todos expressos nas diferentes práticas que ocorrem no mesmo circuito urbano e que são englobadas por formas de vida em confronto. (AU)

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