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A interação entre a pele e os órgãos distais durante processos inflamatórios

Processo: 25/20323-6
Modalidade de apoio:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Data de Início da vigência: 01 de outubro de 2025
Data de Término da vigência: 30 de setembro de 2026
Área de conhecimento:Ciências Biológicas - Imunologia - Imunologia Celular
Pesquisador responsável:Niels Olsen Saraiva Câmara
Beneficiário:Caio Vinicius da Silva Cavalcanti
Instituição Sede: Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:23/07482-2 - Detecção de estressores extra e intracelulares por células renais e imunes: novos insights sobre recepção e transdução de sinais e sua relevância para a compreensão de doenças renais, AP.TEM
Assunto(s):Psoríase
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:Eixo Pele-Intestino | Eixo Pele-Rim | Inflamação cutânea | Psoríase | Imunologia

Resumo

Este trabalho investiga a relação entre a pele e órgãos periféricos, como intestino e rins, durante processos inflamatórios. O saber científico sustenta que a pele é um órgão com funções imunológicas complexas, nas quais os sistemas imune inato e adaptativo interagem frente a estímulos físicos, químicos e microbiológicos [1]. Por ser altamente vascularizada, a inflamação cutânea pode gerar sinais imunológicos capazes de atingir órgãos distantes [6]. Tal fenômeno foi observado, por exemplo, na produção de anticorpos contra antígenos orais após indução de lesões cutâneas em camundongos [2]. Compreender essa relação é relevante, considerando que, desde 1990, as doenças de pele figuram entre as três principais causas de anos vividos com incapacidade (YLDs) no Brasil, posição mantida em 2016 [3]. Segundo o Consenso Brasileiro de Psoríase, embora a resposta imune ocorra majoritariamente na pele, há comorbidades metabólicas associadas a outros sistemas [4]. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 30% dos pacientes com psoríase apresentam obesidade, e 50% hipertensão, uma alteração cardiovascular significativa [5]. Esses dados sugerem que moléculas oriundas de processos inflamatórios cutâneos podem ultrapassar a barreira da pele, afetando órgãos remotos e influenciando inflamações ao longo da vida [2, 9, 10]. A interação entre a pele e outros tecidos tem sido destaque em estudos recentes. A psoríase, por exemplo, pode alterar a microbiota intestinal. Há evidências de que substâncias endócrinas produzidas por essa microbiota, ao alcançarem a circulação, modulam inflamações em tecidos distais [6,7,8]. Esse panorama reforça que eventos imunológicos devem ser analisados em um contexto mais amplo, integrando diferentes sistemas. Em apoio a essa visão, lesões cutâneas induzidas por "tape-stripping" alteraram a permeabilidade intestinal e favoreceram respostas anafiláticas a componentes alimentares [2,9]. Estudos sobre o eixo pele-rim indicam que a exposição a raios UVB - fator ambiental cada vez mais relevante - pode induzir migração neutrofílica sistêmica. Além da pele, neutrófilos pró-inflamatórios foram observados nos rins de camundongos, fenômeno associado à produção de IL-17A na pele desses animais [10,12]. A IL-17A está envolvida na patogênese da psoríase e relacionada à hiperproliferação de queratinócitos. Com outras moléculas imunológicas, contribui para a manutenção do fenótipo psoriático, com efeitos cutâneos e sistêmicos [10,11]. Diante das evidências que ligam inflamações cutâneas a comorbidades metabólicas, cardiovasculares e gastrointestinais, este projeto busca compreender como fatores ambientais, como a exposição a UVB, e lesões cutâneas agudas provocadas pela indução experimental de psoríase podem afetar órgãos remotos. A hipótese é que inflamações iniciais na pele gerem um priming imunológico sistêmico que amplifica a resposta inflamatória em rins e intestino quando esses são desafiados.

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