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Práticas e discursos da memória em áreas desindustrializadas da cidade de São Paulo: o caso dos bairros do Brás, Mooca, Belenzinho e Pari

Processo: 07/56466-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2008
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Sociologia Urbana
Pesquisador responsável:Maria Stella Martins Bresciani
Beneficiário:Verônica Sales Pereira
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Patrimônio histórico   Memória urbana   Industrialização   Segregação social

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a constituição das práticas e discursos da memória numa área desindustrializada da Zona Leste de São Paulo que abrange parte dos bairros do Brás, Mooca, Belenzinho e Pari. Primeiro território da modernidade industrial da cidade, na passagem do final do século XIX para o inicio do século XX, estes bairros são têm sido objeto, nas últimas duas décadas, de dinâmicas urbanas que têm como fim a retomada de seu passado - seu urbanismo e arquitetura abandonadosa ou arruinadosa - por meio de projetos de "revitalização e", "preservação", etc implementados pelo Estado, e pelo mercado, pela sociedade civil e por órgãos multilaterais. Buscamos compreender os significados destas práticas e discursos destes diferentes sujeitos na ocupação destas antigas áreas, seja para habitação, consumo ou lazer, e em que medida eles estão associados ou não a novas formas de segregação sócio-espacial. Eles são reprodução do marketing cultural que levaria a uma gentrificação, ou são obstáculos a ela? O que eles dizem acerca das particularidades destes processos numa megalópole periférica? Em que medida estaria associada a uma dinâmica global?A retomada do passado urbano e arquitetônico nos leva sobretudo a apreender o modo como os sujeitos envolvidos constituem os lugares da memória (Nora, 1993) por meio dos processos de patrimonialização e musealização (Choay, 2001; Jeudy 2005). A nosso ver, essas práticas e discursos constituem múltiplas memórias que dizem respeito à forma como as classes sociais e grupos distintos não apenas experimentaram este passado, mas como o representam a fim de dar legitimidade ao que deve ser preservado e, sobretudo, como deve ser preservado. Acreditamos que, ao contrário de serem homogêneas, essas imagens sobre o passado são múltiplas e o conflito entre elas termina por revelar uma disputa pela legitimação dos lugares que os grupos devem ocupar na cidade e pela imposição de uma representação hegemônica acerca do que é a própria cidade e seu passado. (AU)