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Autobiografia e indústria cultural nos romances de João Gilberto Noll e de Bernardo Carvalho

Processo: 08/09223-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2009
Vigência (Término): 30 de setembro de 2009
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Fabio Akcelrud Durão
Beneficiário:Marcio Renato Pinheiro da Silva
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil

Resumo

Um dos traços mais recorrentes à prosa brasileira produzida na última década consiste na ficcionalização da própria situação enunciativa e em sua transposição ao bojo do relato, compondo discursos de híbrido teor autobiográfico; híbrido porque, a despeito das eventuais identificações entre o relatado e o vivido, tais textos são classificados e promovidos como sendo ficção. Se tais caracteres incitam à redução de uma eventual autonomia da esfera artístico-cultural em face da vida social, dada à indistinção entre estas, ocorre que essa mesma redução é um dos principais procedimentos operados pela Indústria Cultural em escala global - procedimento, aliás, a partir do qual diversos estratos da vida social são convertidos em mercadoria. Nesse contexto, parte-se da hipótese de que recentes romances de João Gilberto Noll ("Berkeley em Bellagio" e "Lorde") e de Bernardo Carvalho ("As Iniciais") tomam, justamente, tais implicações por objeto de indagação. Ou seja, neles, as tensões entre autobiografia e ficção são, desde o princípio, concebidas em conjunção com a Indústria Cultural, encenando (e refletindo sobre) as condições em meio às quais a literatura é produzida e difundida atualmente. Com efeito, esses romances incitam à articulação de uma reflexão a respeito do valor, das funções e das propriedades do literário na contemporaneidade. (AU)