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Caracterização dos possíveis mecanismos moleculares da ação da crotalfina, um novo peptídeo analgésico, em neurônios sensoriais

Processo: 10/12453-1
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2010
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2012
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Farmacologia Geral
Pesquisador responsável:Yara Cury
Beneficiário:Elisangela Bressan
Instituição-sede: Instituto Butantan. Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:98/14307-9 - Center for Applied Toxinology, AP.CEPID
Assunto(s):Crotalfina   Transdução de sinais   Receptores opioides   Analgésicos opioides

Resumo

O nosso laboratório vem estudando uma nova substância analgésica com atividade opioide, denominada Crotalfina, obtida a partir do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus. Esta substância apresenta potente efeito antinociceptivo, mediado pela ativação de receptores opioides periféricos do tipo kappa e delta. Este efeito é observado por 5 horas, na ausência de sensibilização prévia, contudo, na vigência de hiperalgesia, o efeito antinociceptivo é detectado por até 5 dias. Em decorrência da potente ação analgésica deste peptídeo, da longa duração desta ação e da sua efetividade em modelos de dor aguda e persistente, estudos vêm sendo realizados visando o desenvolvimento desta substância como um novo fármaco. Estes estudos encontram-se na fase de ensaios pré-clínicos e incluem ensaios de farmacodinâmica, farmacocinética e toxicológicos. No entanto, os mecanismos celulares e moleculares envolvidos na ação da Crotalfina não foram ainda determinados. A proposta deste projeto é contribuir para a elucidação de alguns destes mecanismos, utilizando modelos de estudo in vitro - cultura de neurônios sensoriais primários (GRDs). Os objetivos específicos são: 1) investigar se a Crotalfina interfere com os processos de sensibilização e ativação de neurônios de GRDs, determinando o efeito deste peptídeo sobre os níveis de AMPc intracelular durante a sensibilização por PGE2 e se este efeito é dependente da ativação de uma proteína Gi/Go; avaliar se a Crotalfina inibe a liberação de CGRP evocada por capsaicina, em neuronios sensibilizados. 2) Investigar se os efeitos observados para a Crotalfina são dependentes da ativação de receptores opioides, determinando se ocorre ativação de receptores opioides em células de GRDs sensibilizadas por PGE2, tratadas ou não com Crotalfina e se o bloqueio de receptores opioides com antagonistas seletivos interfere com os efeitos do peptídeo. 3) Investigar o envolvimento de peptídeos opioides endógenos neuronais para os efeitos da Crotalfina, determinando se este peptideo libera peptídeos opioides a partir de neurônios de GRDs em cultura; dependendo dos resultados obtidos no item anterior, avaliar os efeitos da administração de peptídeos opioides endógenos beta-endorfina, met-encefalina e dinorfina A em culturas de GRDs. 4) Investigar a contribuição da via de sinalização do óxido nítrico (L-arginina-NO-GPMc) e das MAPKs (ERK1/2, p38 e JNK) para os efeitos da Crotalfina em culturas de GRDs, utilizando inibidores da via do óxido nítrico ou das MAPKs ou estudos de western blot para avaliação da fosforilação destas proteínas. O conjunto dos dados obtidos permitirá elucidar os mecanismos pelos quais a Crotalfina age para induzir analgesia - conhecimento fundamental e que fornece credibilidade ao processo de inclusão de um novo analgésico essencialmente brasileiro no mercado. Adicionalmente, o desenvolvimento deste projeto favorecerá a implementação de novos ensaios experimentais no nosso laboratório, possibilitando a colaboração com outros laboratórios da Instituição e de outros centros de pesquisa, e também com empresas de biotecnologia, no desenvolvimento de novas pesquisas básicas e aplicadas. (AU)