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Teatros e saloes: uma reportagem teatral de oswald de andrade.

Processo: 08/50405-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de agosto de 2008
Vigência (Término): 31 de julho de 2010
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Vera Maria Chalmers
Beneficiário:João Fábio Bittencourt
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Ironia   Oswald de Andrade   Jornalismo   Reportagem

Resumo

O Projeto propõe-se a estudar a coluna teatral, Teatros e Salões" do Diário Popular, 14 de abril de 1909 e 30 de agosto de 1911 (599 textos), para a qual Oswald de Andrade trabalhava como repórter, conforme relata em seu livro de memórias, "Um homem sem profissão - sob as ordens de mamãe", de 1954. A coluna não é assinada pelo jovem estreante nas letras e poucas vezes vem assinada por Gelásto Pimenta. No entanto, a coluna apresenta um dado característico de Oswald de Andrade na sua maturidade, a ironia, que se exprime nas críticas sobre as companhias estrangeiras que já vinham precedidas de grande fama internacional, principalmente sobre atores e atrizes reputados. Ao longo da temporada a opinião do repórter podia modificar-se, e passar da ironia ao elogio. A exemplo da crítica de 29 de julho de 1911 sobre a peça "La Fiaccola sotto i Moggio", na qual escreve: "a peça, cujo valor como criação é muito pequeno, tendo, entretanto, uma forma aprimorada e beta, o que não é suficiente para o teatro, desenvolveu-se com uma morosidade inaudita por todos os quatro atos, bordados de lances sentimentais e cenas de uma violência atroz". Mais adiante sobre a atriz Mimi Aguglia diz: "enfim, Mimi não desmereceu os louvores recebidos nas noites anteriores, sendo muito aplaudida pela regular assistência". Ora, o termo "regular assistência" é um índice de insucesso das peças ao longo da duração da coluna. A atribuição da autoria é relevante, mas não esgota o interesse destes textos, pois o fundamental é o perambular do repórter petos espetáculos da cidade, experiência que resultará na criação da revista, "O Pirralho", em 1913.0 conhecimento do panorama cultural da cidade de São Paulo, no período que antecede a Semana de 22 é fundamental para preparar a análise da atmosfera mundana e caricatural de "O Pirralho" e essencial para o estudo da colaboração jornalística de Oswald de Andrade. O estudo do jornalismo inicial do escritor esclarece a sua obra ficcional, a exemplo da Trilogia do Exílio", o romance, "Os Condenados", de atmosfera de fim de século e inovações audaciosas de modernista. (AU)