Busca avançada
Ano de início
Entree

Crítica fenomenológica ao objetivismo científico

Processo: 08/54887-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2008
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Epistemologia
Pesquisador responsável:Pablo Rubén Mariconda
Beneficiário:Marcus Sacrini Ayres Ferraz
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:07/53867-0 - Gênese e significado da tecnociência: das relações entre ciência, tecnologia e sociedade, AP.TEM
Assunto(s):Ciência   Fenomenologia (filosofia)   Objetivismo   Subjetividade   Construção do conhecimento

Resumo

A crítica ao objetivismo surge de alterações no projeto fundacionista defendido por Husserl no decorrer de sua obra. Primeiramente, Husserl defende que, por meio da clarificação dos conceitos, a filosofia poderia confirmar se as ciências estariam absolutamente fundadas. Em seguida, ao estender o processo de clarificação as estruturas da subjetividade, Husserl esboça um modelo fundacionista transcendental para o conhecimento científico. Por fim, ao reconhecer que mesmo a evidência transcendental não é absoluta, Husserl passa a dar mais peso ao mundo sensível e histórico como base dos conhecimentos científicos. É então que Husserl desenvolve a crítica ao objetivismo científico, ou seja, a orientação teórica segundo a qual o conhecimento científico deve superar toda referência a experiência subjetiva, e segundo a qual a realidade mundana é composta de elementos absolutamente independentes dessa experiência. Segundo Husserl, as pesquisas científicas realizadas sob a orientação objetivista supõem uma metodologia de empobrecimento da experiência sensível, quer dizer, de desconsideração dos componentes estéticos e valorativos da vida cotidiana. Embora essa metodologia tenha possibilitado grande avanço teórico e tecnológico, ela teria sido tomada indevidamente como concepção ontológica: a realidade mundana passa a ser considerada como um conjunto de propriedades absolutamente independentes da subjetividade humana. Tal concepção mascara o papel do mundo-da-vida na constituição do conhecimento científico. Por mundo-da-vida, Husserl compreende tanto o mundo tal como apresentado na experiência sensível quanto as comunidades humanas desenvolvidas historicamente. A análise husserliana revela que o conhecimento obtido pela metodologia objetivista tende a desconsiderar os contextos sociohistóricos que lhe servem de base, o que gera uma imagem abstrata do conhecimento humano. Após expormos a crítica husserliana ao objetivismo, desenvolveremos algumas ideias de Hugh Lacey (tais quais o papel dos valores sociais na orientação das pesquisas científicas e a crítica as limitações das estratégias materialistas) como uma ampliação da crítica husserliana. (AU)