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Identificação de cães portadores de leptospiras patogênicas pelo método de reação em cadeia da polimerase (PCR)

Processo: 09/00085-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de março de 2009
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2009
Área do conhecimento:Ciências Agrárias - Medicina Veterinária - Clínica e Cirurgia Animal
Pesquisador responsável:Mitika Kuribayashi Hagiwara
Beneficiário:Rodrigo Rivera Melnic
Instituição-sede: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Urina   Leptospirose   Reação em cadeia por polimerase (PCR)   Leptospira

Resumo

A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial com alta prevalência em regiões tropicais, causada por bactérias patogênicas do gênero Leptospira spp. As leptospiras são bactérias espiroquetas, espiraladas, flexíveis e móveis, compostas de um cilindro protoplasmático que se enrola ao redor de um filamento axial central (GREENE, et al., 2006). No meio ambiente, as leptospiras patogênicas não se multiplicam, mas são capazes de sobreviver na água e no solo úmido (ANDRE-FONTAINE, et al., 2008), principalmente em terrenos úmidos, pântanos, córregos, lagos e estábulos com excesso de detritos e umidade. As leptospiras patogênicas são mantidas na natureza por numerosos hospedeiros naturais silvestres ou domésticos, nos quais colonizam e sobrevivem no tecido renal por um longo período de tempo (GREENE, et al., 2006). O cão é considerado portador do sorovar canicola (GREENE, et al., 2006), embora já tenham sido identificados outros sorovares, como, por exemplo, os sorovares bratislava, icterohaemorrhagiae e pomona (BRENNER, et al., 1999). Em cães, a infecção aguda pelo sorovar icterohaemorrhagiae ou copenhageni é caracterizada por doença hemorrágica aguda e insuficiência renal e hepática graves (WOHL, 1996; RODRIGUES, 2008). Durante essa fase, diversos sistemas podem ser comprometidos e a extensão dos danos aos órgãos depende da virulência do organismo (vinculada à produção de toxinas, aderência e formação de imunocomplexos) e da susceptibilidade do hospedeiro. As leptospiras desaparecem da circulação sanguínea e da maioria dos órgãos à medida que ocorre a resposta imunológica do hospedeiro, com a formação de anticorpos, porém persistem nos rins e podem ser eliminados na urina por semanas a meses (LEVETT, 2001). Os animais cronicamente infectados eliminam as leptospiras para o meio ambiente e se constituem em potencial fonte de infecção para os humanos e outros hospedeiros animais incidentais (BOLIN, 1996). O diagnóstico molecular da leptospirose pela detecção direta de material genético de leptospira em amostras clínicas tem sido amplamente estudado (LEVETT, 2001) e diversos pares de primers foram desenvolvidos (MERIEN, et al., 1992; BAL, et al., 1994; HARKIN, et al., 2003a) com base em diferentes alvos, mais frequentemente o gene 16S rRNA. A maior sensibilidade da PCR no diagnóstico da leptospirose, quando comparada aos testes sorológicos foi ressaltada por Teixeira et al (2008) em um cão com insuficiência renal aguda em que a reação de SAM para diferentes sorovares de leptospiras foi negativa, porém organismos semelhantes a Leptospira spp foram isolados do fígado e detectados por PCR no tecido renal e hepático, confirmando-se assim o diagnóstico de leptospirose. Seu maior potencial, entretanto, repousa sobre a possibilidade de utilizar a reação na identificação de eventuais portadores de leptospiras, cronicamente infectados, e que por outros métodos como o isolamento bacteriano ou a pesquisa de anticorpos anti-leptospiras não seriam identificados. Por ser um método que pode ser introduzido em maior escala quando comparado ao isolamento bacteriano (HARKIN, et al., 2003a) poderá ser utilizado na identificação de eventuais cães portadores de infecção inaparente, que se constituem em considerável risco para seus semelhantes e para os humanos que convivem no mesmo ambiente. O projeto visa identificar a presença de leptospiras patogênicas na urina de cães sem sintomatologia para a doença, mas que apresentam afecções em trato urinário. Para tanto, serão coletadas e analisadas através de PCR amostras de urina de 200 cães atendidos no Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, independente do sexo ou da faixa etária, em que houver suspeição de doença renal, insuficiência renal crônica ou infecção do trato urinário.