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Função dos receptores de glicocorticóides (RGs) e receptores de mineralocorticóides (RMS), integrada à avaliação psiconeuroendócrina e psicométrica, como preditora de resposta ao tratamento de pacientes com depressão

Processo: 07/05084-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2007
Vigência (Término): 31 de julho de 2009
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Psiquiatria
Pesquisador responsável:Frederico Guilherme Graeff
Beneficiário:Mario Francisco Pereira Juruena
Instituição-sede: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:07/03685-3 - Neurotransmissores típicos e atípicos em transtornos neuropsiquiátricos, AP.TEM
Assunto(s):Receptores de glucocorticoides   Neuropsicofarmacologia   Depressão   Receptores de mineralocorticoides

Resumo

O problema fundamental do diagnóstico psiquiatrico é que os elaborados sistemas de classificação hoje existentes baseiam-se somente em descrições subjetivas dos sintomas. Tal fenomenologia inclui a descrição de múltiplos subtipos clínicos; no entanto, não há uma característica biológica que diferencie um subtipo do outro. A hiperatividade do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) na depressão maior é um dos achados mais consistentes em psiquiatria, onde significativo percentual de pacientes com depressão maior apresenta: concentrações aumentadas de cortisol no plasma, urina, líquido cefalorraquidiano e saliva; uma resposta exagerada do cortisol ao hormônio adrenocorticotrófico (ACTH); e um aumento das glândulas pituitária e adrenal. A hipercortisolemia está associada a alguns casos específicos de depressão e depende do tipo e da gravidade da doença, do genótipo, do histórico de estresse. O teste de supressão de dexametasona (TSD) demonstrou que pacientes com vários quadros afetivos tinham níveis elevados de cortisol, escapando do efeito inibitório da dexametasona (DEX). Infelizmente, a DEX possui características farmacodinâmicas e farmacocinéticas que são muito distintas das do cortisol. Recentemente, um teste de supressão utilizando outro glicocorticóide sintético, a prednisolona, com maior afinidade pelo receptor de mineralocorticóides (RM), foi desenvolvido Os primeiros resultados com o teste de prednisolona em pacientes deprimidos parecem confirmar a idéia de que o feedback negativo mediado pelo RM na depressão está intacto nos pacientes deprimidos. Alguns estudos utilizando DEX descreveram pacientes que avaliaram o eixo HPA após a admissão e antes da alta terapêutica, observando que pacientes com um aumento nos níveis de cortisol após o desafio endocrino entre a admissão e a alta tenderam a recair durante o período de seguimento, ao passo que os que mostraram uma diminuição nos níveis de cortisol após o teste tenderam a permanecer clinicamente estáveis. Dessa forma, esses estudos sugerem que a avaliação do eixo HPA durante o tratamento antidepressivo pode ser útil para identificar aqueles com maior risco de recaída.Assim, o objetivo deste estudo será testar as hipóteses de que: 1) a deficiência na inibição por feedback relaciona-se com a função dos receptores de glicocorticóides (RG) e/ou RM; 2) os antidepressivos atuam revertendo alterações na função dos receptores RG e/ou RM e forma normalizam a hiperatividade do eixo HPA em pacientes com depressão 3) diferentes subtipos de depressão se relacionam com alterações especificas do eixo HPA e na função dos receptores RG e RM; 4) a avaliação do eixo HPA durante o tratamento antidepressivo pode ser preditor de resposta e/ou recaída em pacientes com depressão. O estudo será controlado por placebo, onde os efeitos da prednisolona, espironolactona e DEX serão avaliados em 35 pacientes com depressão e em 35 controles. Em um protocolo de 4 dias: a secreção de cortisol salivar será avaliada ao despertar, após ingerirem no dia anterior às 22h: uma cápsula de placebo (dia 1); prednisolona (dia 2); espironolactona (dia 3, 48h após dia 2); e dexametasona (dia 4, 48h após dia 3). O cortisol salivar será coletado ao despertar nos 4 dias após os desafios; e os sujeitos terão uma amostra de sangue coletada às 9h da manhã, para avaliação dos níveis plasmáticos do hormônios ACTH, dehidroepiandrosterona (DHEA), vasopressina (AVP) e aldosterona. Os pacientes serão também avaliados quanto ao transtorno de personalidade; gravidade clínica; estagiamento da depressão resistente; histórico de tratamento; função cognitiva; capacidade funcional de adaptação; sono e estresse. Estas avaliações, assim como as endócrinas serão realizadas nos pacientes sintomáticos e repetidas após resposta terapêutica maior que 50%, de acordo com a escala de Hamilton ou, entre 12 e 16 semanas nos pacientes resistentes e após no seguimento de 6-12 meses.