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Descrição e análise do estatuto linguístico da partícula "le" na fala de um sujeito afásico como recurso de reconstrução da linguagem

Processo: 10/10272-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de setembro de 2010
Vigência (Término): 31 de agosto de 2011
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística
Pesquisador responsável:Edwiges Maria Morato
Beneficiário:Nathalia Do Nascimento Epifânio
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Afasia   Conversação   Interação verbal   Neurolinguística

Resumo

O objetivo do presente trabalho é descrever e analisar o estatuto de um elemento lingüístico que emerge na fala de um sujeito afásico, EC, - nas conversações que ocorrem no CCA (Centro de Convivência de Afásicos. "Espaço de interação entre afásicos e não-afásicos(cf. Morato et alli, 2002), que funciona nas dependências do Instituto de Estudos da Linguagem na UNICAMP.). As afasias, grosso modo, são seqüelas na linguagem causadas em decorrência de um episódio neurológico, como acidente vascular cerebral (AVC), traumatismos crânio-encefálicos ou um tumor cerebral. Essas seqüelas acarretam ao sujeito dificuldades nos processos de produção e interpretação de linguagem.(C.f Morato et alli, 2002). O que chama a atenção da fala de EC é a rica ocorrência plurifuncional da partícula "le", em geral antes da evocação de palavras, tomando o lugar de determinantes, de nomes, ou mesmo fazendo parte integrante deste, resultando em parafasias (como "leceitas" no lugar de "receitas"), de modo a servir como expediente de reconstrução da linguagem e incremento da capacidade comunicativa. A primeira tarefa colocada a partir deste objetivo é a perscrutação do estatuto lingüístico deste elemento lingüístico em suas variadas ocorrências em meio a práticas discursivas e interacionais de EC. Nossa primeira hipótese, a partir da observação preliminar do fenômeno, é que essa partícula funcionaria como um auto-prompting, atuando como preenchimento de categorias e processos lin-güísticos diversos, como ativação lexical e ênfase. A segunda tarefa está ligada à segunda hipótese, segundo a qual o "le" funcionaria como um coringa categorial, uma estratégia de reconstrução fono-lógico-lexical que pode se explicada à maneira de processos de gramaticalização e discursivização.(MARTELOTTA, VOTRE e CEZÁRIO, 1996).A ocorrência ou produtividade desse fenômeno parece estar vinculada às práticas conversa-cionais nas quais se engaja EC; o "le", então, não seria uma mera excrescência afásica, e sim uma estratégia cujo funcionamento obedece a algumas sistematicidades de natureza reorganizacional que emerge nas interações verbais de forma intersubjetivamente interacional e reguladora.Acreditamos que é no domínio empírico que haveremos de compreender tanto o estatuto, quanto as propriedades lingüístico-cognitivas da ocorrência, verificando de forma longitudinal o seu papel na reconstrução da linguagem em vários níveis: morfológico, léxico, sintático, pragmático.