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Estudo de mutações primárias para inibidores de protease para o Vírus da Hepatite C em portadores crônicos da cidade de São Paulo

Processo: 10/05717-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de junho de 2010
Vigência (Término): 30 de novembro de 2011
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Microbiologia
Pesquisador responsável:Isabel Maria Vicente Guedes de Carvalho Mello
Beneficiário:Polyana Ataliba Vasconcelos Medeiros de Sousa
Instituição-sede: Instituto Butantan. Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Vírus da hepatite C   Virologia   Mutação   Resistência a medicamentos

Resumo

A hepatite crônica causada pelo vírus da hepatite C (VHC) constitui um grave problema de saúde pública mundial. Cerca de 3% da população mundial está infectada pelo VHC e cerca de 70% destes evoluem para a infecção crônica podendo progredir para cirrose, doença hepática terminal e até para carcinoma hepatocelular. A ausência de uma vacina e terapia 100% eficazes faz com que a prevenção seja de extrema importância nesta infecção. A identificação de pessoas infectadas e o conhecimento de fatores de risco, associados à infecção do VHC podem levar ao desenvolvimento de estratégias para reduzir a incidência da infecção pelo VHC resultando no controle da epidemia. O VHC foi identificado em 1989, e seu genoma viral é constituído por um ácido ribonucléico (RNA) linear, de fita simples, com polaridade positiva. O genoma do VHC apresenta alto grau de variabilidade genética. Seis genótipos e vários subtipos têm sido identificados, os quais apresentam diferença na resposta ao tratamento antiviral, bem como uma distribuição geográfica distinta. O RNA viral possui cerca de 9400 nucleotídeos com uma única fase de leitura aberta, que inclui a maior parte do genoma e codifica uma poliproteína com pouco mais de 3000 aminoácidos, que é posteriormente clivada por proteases celulares e virais, dando origem às proteínas do vírus. Uma característica importante do genoma do VHC é a presença de regiões não traduzidas (UTR, "untranslated region") nas extremidades 5' e 3' do genoma viral. Com o desenvolvimento do sistema de replicons de VHC novas ferramentas vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de testar in vitro novas drogas que inibem especificamente proteínas essenciais para a replicação do VHC. Estas novas ferramentas possibilitaram testar in vitro os inibidores de protease entre outros. Apesar do progresso obtido no tratamento dos pacientes portadores crônicos com o vírus da hepatite C ainda em torno de 30 a 50% desses pacientes não apresentam resposta virológica sustentada. O desenvolvimento de novos fármacos que atuam diretamente no ciclo replicativo do vírus têm se mostrado eficientes e com menos efeitos colaterais que as drogas já existentes, entretanto, tem se observado o aparecimento de variantes virais resistentes a estas novas drogas poucos dias após o início do tratamento, em ensaios clínicos. Algumas mutações conferindo resistência aos inibidores de protease (NS3) para HCV têm sido descritas. Muitas destas mutações têm sido detectadas em pacientes durantes ensaios clínicos do Telaprevir e Boceprevir. Além das mutações simples (um único sitio mutado) têm sido observadas mutações em outros sítios (concomitantes) que favorecem a resistência dessas cepas e aumentam a adaptação dos vírus mutantes (resistentes) facilitando assim a sua fixação. Em estudo anterior, em amostras (pré e pós-transplante) de pacientes transplantados de fígado e portadores de VHC, verificamos algumas mutações na região da protease da proteína NS3. Este estudo tem como objetivo sequenciar a protease do genoma do VHC (NS3) em amostras de plasma e avaliar todas as mutações descritas para estes inibidores e identificar mutações pré-existentes de resistência, aos inibidores de protease para VHC em amostras de portadores crônicos do Vírus da Hepatite C tratados ou não tratados com Interferon e Ribavirina. Para este estudo serão utilizados 250 soros para a realização da reação em cadeia da polimerase (PCR) da região genômica NS3 (região da protease +/550 nt) do VHC para posterior sequenciamento e análise das mutações aos antivirais específicos. As amostras que serão utilizadas neste projeto são provenientes de dois estudos anteriores, por isso não haverá a necessidade de nova coleta. (AU)