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Henri Michaux: um bárbaro nos trópicos (diálogos entre antropologia e literatura)

Processo: 09/53613-4
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2009
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2010
Área do conhecimento:Interdisciplinar
Pesquisador responsável:Mariza Martins Furquim Werneck
Beneficiário:Mariza Martins Furquim Werneck
Anfitrião: François Pouillon
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Sociais. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), França  

Resumo

Este projeto pretende refletir sobre as relações entre antropologia e literatura, por meio da obra do escritor, poeta e pintor Henri Michaux (1889-1984), de origem belga, que viveu no Brasil entre 1939 e 1940. Além da análise da obra propriamente dita, que apresenta curiosa sintonia com a produção etnográfica de seu tempo, pretende rastrear a presença de Michaux no Brasil, e sua ligação com os poetas e escritores Murilo Mendes, Aníbal Machado e Jorge de Lima, com quem conviveu durante sua permanência no Rio de Janeiro. A obra de Michaux apresenta algo de intrigante, pois, embora possa ser classificada como relato etnográfico, ou literatura de viagem no sentido estrito do termo, ultrapassa, em larga medida, qualquer um desses gêneros, na medida em que mimetiza, de forma curiosa, os procedimentos dos métodos etnográficos inventando ora "mitos de origem" ou reproduzindo um universo cosmogônico, ora descrevendo os habitantes de países imaginários, divididos entre clãs e tribos. Embora seus livros tenham como pressuposto um projeto eminentemente literário, percebe-se neles uma organização sistemática da matéria tratada, e um rigor quase "científico" na exposição. Assim, a literatura de Michaux não apenas faz fronteira com a etnografia, mas ela é, em si mesma, uma espécie singular de etnografia. Uma etnografia imaginária? Uma literatura etnográfica? Refletir sobre a temática insistentemente antropológica que perpassa os textos de Michaux (a perspectiva cosmogônica, a busca da origem, relatos de mitos, lendas e fábulas, descrição de povos, entre outras) pode ser útil para repensar, e iluminar, de alguma forma, a produção do texto etnográfico propriamente dito. (AU)