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A sociologia das classes e os conflitos etnico-raciais na frana e no Brasil

Processo: 99/08287-8
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 07 de dezembro de 1999
Vigência (Término): 06 de fevereiro de 2000
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Antonio Sérgio Alfredo Guimarães
Beneficiário:Antonio Sérgio Alfredo Guimarães
Anfitrião: Afrânio Garcia
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), França  
Assunto(s):Classe social   Grupos étnicos   Movimentos sociais

Resumo

O programa de trabalho a ser desenvolvido em Paris, França, tem como objetivo principal o levantamento e comentário de uma bibliografia francesa, em sociologia, de artigos e livros, publicados nos anos 80 e 90, sobre “classes sociais”, “grupos étnicos” e outros atores coletivos. A análise desse material deverá complementar o estudo que venho realizando sobre o tema, cujo primeiro resultado, relativo ao Brasil, se encontra no texto, em anexo, “Classes sociais: os últimos 20 anos”. Antes central na teoria sociológica, sobretudo francesa, o conceito de “classes sociais” experimentou um rápido ocaso, nos anos 80, com a crescente preocupação com movimentos sociais de extrações diversas, como o feminismo e o anti-racismo. Tal ocaso foi, às vezes, teorizado como o “fim da sociedade de trabalho” (Clauss Offe), ou como “adeus ao proletariado” (André Gorz), mas pouco se estudou o impacto conceitual desta mudança sobre a sociologia, nos dias correntes (Giddens) são tributários dessa nova situação, em que a classe operária parece ser um ator político secundário, diante de outros coletivos organizados. A sociologia, mais que qualquer outra ciência, nasceu como reflexão sobre a modernidade, e esta foi marcada pelo conflito de interesses entre as classes principais do capitalismo: trabalhadores, empresários industriais, senhores de terra e pequena burguesia (para ficarmos com a famosa caracterização de Marx, no capítulo inacabado d’O Capital). De certo modo, na França, o grande debate, nos anos 70, revolveu-se no desafio de integrar à teoria sociológica clássica a profusão de novos atores sociais, teorizado como “nova pequena burguesia” (Poulantzas). Nos anos 80, contudo, estes novos atores parecem ter abandonado as estratégias clássicas de luta coletiva, desenvolvidas pelos sindicatos operários, tornando mais difícil a recostura teórica. Surgiram, então, de modo teoricamente independente, os estudos sobre minorias e novos movimentos sociais. Por uma questão de proximidade com os estudos empíricos que desenvolvo atualmente, focalizarei apenas parte desta literatura: aquela sobre os imigrantes e o racismo. A pergunta-guia será: afinal, o que significa, hoje, para a teoria das classes, a proeminência empírica de atores coletivos não teorizados como classes? A minha preocupação estará balizada pela influência desta reflexão francesa sobre as mudanças teóricas na sociologia brasileira, a partir dos 80, com a incorporação de estudos e análises sobre novos atores coletivos, além das classes (empresariado, trabalhadores, camponeses e latifundiários). (AU)