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Alterações imunotoxicológicas em trabalhadores expostos a sílica

Processo: 02/10701-1
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 24 de novembro de 2002
Vigência (Término): 13 de dezembro de 2002
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Toxicologia
Pesquisador responsável:Mary Luci de Souza Queiroz
Beneficiário:Mary Luci de Souza Queiroz
Anfitrião: Jan Willem Cohen Tervaert
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Local de pesquisa : Maastricht University (UM), Holanda  
Assunto(s):Estresse oxidativo   Autoimunidade   Células matadoras naturais   Sílica

Resumo

A sílica cristalina, ou quartzo, é um mineral abundante encontrado na areia, pedra e solo. Níveis elevados de exposição à poeira de sílica podem causar inflamação crônica e fibrose no pulmão e em outros órgãos. Estudos em indivíduos com exposição ocupacional a altos níveis de sílica (e.g. mineiros) demonstram índices aumentados de doenças autoimune, em comparação com aqueles observados na população em geral. A deposição pulmonar de sílica cristalina pode resultar num ciclo de lesão pulmonar, proliferação de fibroblastos e excesso de produção de colágeno no pulmão causando fibrose pulmonar ou silicose. Após contato com a sílica, os macrófagos alveolares produzem vários fatores inflamatórios e fibrogênicos como as espécies reativas do oxigênio (ROS), os mediadores lipídicos, as citocinas (IL-1, IL-6, TNF-α) e os fatores de crescimento derivados de macrófagos, os quais são críticos para a patogenia induzida pela sílica. Estudos experimentais demonstram que a sílica pode atuar como adjuvante, aumentando a reposta imune de forma não-específica. Este é um dos mecanismos pelo qual a sílica pode estar envolvida no desenvolvimento de doença autoimune. Estudos epidemiológicos que avaliam a relação entre exposição à sílica e doença autoimune demonstram forte associação entre lupus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide, vasculite e glomerulonefrite associados com ANCA e escleroderma. No entanto, muitas dúvidas permanecem relacionadas à patofisiologia, etiologia, mecanismos e multiplicidade de efeitos decorrentes da exposição à sílica. Por exemplo, silicose e pneumoconioses tem sido associadas com níveis aumentados de autoanticorpos, imunocomplexos e imunoglobulinas, mesmo na ausência de indicadores clínicos de doenças autoimune específicas. Muitos casos de doença autoimune em indivíduos expostos à sílica foram identificados durante a investigação ou tratamento de silicose. Além disso, em alguns indivíduos expostos à sílica, a doença autoimune se desenvolve anteriormente às manifestações clínicas de silicose. Portanto, não está claro se a silicose constitui apenas um marcador de exposição a altos níveis de poeira de sílica ou se representa um processo patológico que pode predispor alguns indivíduos ao desenvolvimento de doença autoimune. Até o momento, a maioria dos estudos não prosseguem com exames sistêmicos de parâmetros indicadores de autoimunidade em indivíduos que apresentam silicose. Dessa forma, são escassas as informações sobre o tipo e persistência das alterações imunológicas e a relação dessas alterações com o desenvolvimento e progressão de doenças autoimune e com a dose de sílica recebida. (AU)