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Implantação e desenvolvimento da radioastronomia no Brasil

Processo: 00/07532-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2000
Vigência (Término): 14 de abril de 2002
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História das Ciências
Pesquisador responsável:Shozo Motoyama
Beneficiário:Ulisses Capozoli
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil

Resumo

O objetivo deste projeto é investigar, analisar, interpretar e documentar a implantação e o desenvolvimento da radioastronomia no Brasil. Para se atingir esse objetivo será feito um recorte do desenvolvimento da radioastronomia mundial. A análise da radioastronomia brasileira será obtida por um efeito de contraste, um recurso comparativo em relação aos avanços internacionais. Além disso, internamente, será feita uma análise comparativa adicional com a performance da astronomia óptica. Em escala internacional, apesar das descobertas de Karl Jansky, em 1931, è os trabalhos de Grote Reber, em 1936, ambos nos Estados Unidos, a radioastronomia só se implantou e desenvolveu com o final da Segunda Guerra Mundial. Se de um lado o conflito inibiu trabalhos científicos nessa área, por deslocar as preocupações da comunidade acadêmica, especialmente nos Estados Unidos, também teve o sentido oposto. E isso ocorreu na Inglaterra, com o desenvolvimento do radar. Na Grã-Bretanha, a adoção dessa estratégia de guerra formou recursos humanos, permitiu o desenvolvimento instrumental, estimulou a concepção de novos sistemas e criou uma nova geração de pesquisadores com outra mentalidade científica. Os radioastrônomos, como foram chamados, tiraram partido de avanços teóricos implícitos em trabalhos como o de Maxwell e perscrutaram o céu com outros olhos. Foram portadores de descobertas inusitadas, como as radiofontes, emissões em rádio feitas por galáxias, quasares, pulsares, buracos negros e nebulosas. Estas últimas, estruturas difusas formadas pela expansão de gases e poeira, restos de estrelas mortas, com elevadas taxas de expansão. Uma das maiores conquistas da radioastronomia aconteceu na freqüência de microondas. Em 1965, Amo Penzias e Robert Wilson experimentaram o que se costuma chamar de "serendipidade" ao captar acidentalmente uma radiação uniforme, prevista teoricamente pelo modelo cosmológico do Big Bang. Essa radiação fora identificada como um "ruído fóssil", o eco da explosão original que deu origem ao Universo, segundo o Big Bang. Júpiter e Saturno foram dois dos mundos próximos investigados em rádio. Vênus teve sua superfície desvendada por pulsos de radar. Moléculas de complexidade crescente e usinas cósmicas de água em nebulosas e galáxias distantes foram identificados em ondas de rádio. A abundância cósmica de água tende a alterar conceitos mais convencionais envolvendo a origem da vida. Desde os anos 60, os "otimistas", corrente exobiológica que aceita a possibilidade de vida inteligente fora da Terra, fazem tentativas de escutas de eventuais mensagens na longitude de onda de 21 centímetros. Essa é a emissão natural do hidrogênio, freqüência que permitiu o mapeamento da Galáxia. Há boas razões para se pensar que possam existir sinais artificiais nessa freqüência. No início dos anos 90, investigações na radiação cósmica de fundo, o rádio-ruído fóssil, pelo satélite norte-americano Cobe, trouxeram informações que tanto deram consistência a um universo inflacionário, uma das versões do Big Bang, como iluminaram um pouco mais as discussões em torno de flutuações, estruturas identificadas com proto-galáxias. Radioastrônomos ingleses, durante a guerra, detectaram emissões rádio originárias do Sol. A princípio, os sinais foram confundidos com um revide tecnológico da Alemanha. Ao final do conflito, o esvaziamento estratégico dos dados permitiu que os dados fossem partilhados entre a comunidade acadêmica abrindo uma nova janela de investigação científica, com a participação de pesquisadores brasileiros. Com esse trabalho, sobre implantação e desenvolvimento da radioastronomia no Brasil, procuramos compreender a contribuição que esta área trouxe para o ambiente científico e social do País. Tanto pela possibilidade de novos aportes epistemológicos, na qualidade de ramo novo da astronomia, como por contribuições instrumentais e potencial de desenvolvimento tecnológico. A maior parte dos pioneiros da radioastronomia no Brasil, perto de duas dezenas de pesquisadores, ainda está em atividade. Mas o registro do percurso feito só tem uma mínima porção documentada. São relatos esparsos, capítulos de uma ou outra publicação, além de poucos artigos em jornais e revistas. Levantar com eles, os erros e os acertos dos acontecimentos, numa abordagem apoiada em técnicas de história oral, pode ser uma contribuição interessante para definição de eventuais políticas científicas para essa área de pesquisa. (AU)

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