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Estudos relativos ao melhor paradigma de tratamento hipotérmico pós-isquêmico e aos seus efeitos sobre a expressão de citocinas pró e anti-inflamatórias no tecido cerebral a longo prazo

Processo: 97/14200-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 1999
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2000
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Cícero Galli Coimbra
Beneficiário:Sergio Luis Menéndez Lucero
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Hipotermia   Isquemia cerebral   Inflamação   Tecido nervoso

Resumo

Após uma isquemia cerebral transitória (global), além daquelas células em que a morte se torna inequívoca já nas primeiras horas, outras populações neuronais apresentam sinais degenerativos apenas após o decurso de dias (morte neuronal tardia ou delayed neuronal death - DND) ou progressivamente ao longo de semanas (morte neuronal crônica ou chronic neuronal death - CND). É possível que ao menos os fenômenos de DND e CND sejam determinados por fenômenos inflamatórios de origem auto-imune, como demonstra a presença de macrófagos e linfócitos no tecido nervoso pós-isquêmico. Por outro lado, alterações da temperatura corporal, espontâneas ou induzidas ao longo das primeiras horas ou dias de recuperação, afetam profundamente a magnitude de todos os 3 tipos de morte neuronal. A hipotermia moderada (33ºC), desde que mantida por tempo suficiente (7 horas) é capaz de bloquear completamente a morte neuronal precoce, e reduzir amplamente a DND, mesmo quando iniciada horas após a isquemia cerebral. Por sua vez, a ocorrência de hipertermia espontânea entre o final do 1º dia e o final do 3º dia de recuperação está associada ao desencadeamento da CND, que se manifesta após a primeira semana de sobrevida. No seu conjunto, esses achados recentes demonstram que a morte neuronal não se toma estabelecida após os primeiros minutos de isquemia, como se pressupõe ainda atualmente na prática clínica, mas trata-se de um processo lento que pode ser bloqueado ou acentuado pelas alterações da temperatura, ao longo das primeiras horas ou dias. Devido a seus conhecidos efeitos pró- e antiinflamatórios, a hiper e a hipotermia, respectivamente, podem produzir seus efeitos através da promoção e da antagonização dos processos auto-imunes pós-isquêmicos. Este projeto tem como objetivos: (1) o detalhamento dos parâmetros ideais (duração e nível de temperatura) para o emprego da hipotermia no período pós-isquêmico (após a isquemia global trandistória), de forma a obter o melhor efeito protetor sobre o tecido nervoso, considerando as particularidades das janelas terapêuticas próprias para cada região prosencefálica; (2) a evidenciação dos efeitos da hipotermia sobre a expressão de citocinas pelos fenótipos celulares presentes no tecido nervoso pós-isquêmico, de forma a caracterizar qual o padrão predominante de resposta imunológica (Th1, Th2, Th3) nessa situação, e como é esse padrão afetado pelo tratamento hipotérmico. A execução deste projeto reveste-se de especial importância em face recente homologação da lei de transplante de órgãos no Brasil, já que os parâmetros atualmente utilizados para o diagnóstico clínico de morte encefálica são fundamentados na pressuposta irreversibilidade da lesão neuronal, e, portanto encontram-se seriamente abalados pela evidenciação da responsividade do processo de morte celular às alterações da temperatura ao longo de horas ou dias após a ocorrência do insulto isquêmico. (AU)