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A articulação do paradigma clássico: valor e mercado no pensamento econômico das primeiras décadas de século XIX

Processo: 93/03813-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 1994
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 1995
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Economia - Teoria Econômica
Pesquisador responsável:Ana Maria Afonso Ferreira Bianchi
Beneficiário:Rubens Nunes
Instituição-sede: Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Economia política   Paradigma científico   Axiologia

Resumo

O objetivo do trabalho consiste em descrever e interpretar os esforços destinados a articular o paradigma clássico, ocorridos principalmente nas primeiras décadas do século XIX. A articulação do paradigma, conceito apresentado por Thomas S. Kuhn em "A estrutura das revoluções científicas", é um dos focos normais para a investigação científica e corresponde ao trabalho de resolver as ambigüidades remanescentes nas realizações exemplares da ciência, de expor as teorias de forma elegante e consistente, e de enquadrar outros problemas diferentes dos originalmente relacionados com o conjunto de teorias do paradigma. Pelo menos duas características da ciência normal podem ser detectadas na Economia Política das primeiras décadas do século passado: i) a existência de uma obra considerada exemplar, A Riqueza das Nações e ii) a oposição a grupos e doutrinas anteriores: os mercantilistas e os fisiocratas. Antes da "Riqueza das Nações", segundo J. B. Say, David Buchanan, Karl H. Rau e J. R. McCulloch, entre outros, a Economia Política não constituía uma ciência. Smith finalmente firmara, na opinião desses autores, princípios que superavam discussões escolásticas inócuas e que permitiam analisar situações reais ou hipotéticas. A obra pecava, no entanto, por amalgamar conhecimentos de natureza diversa, princípios da Economia Política e fatos empíricos, por carecer de clareza e método na exposição, e por conter algumas ambigüidades e raciocínios inconclusivos. Dessa avaliação decorria diretamente um plano de trabalho: o pensamento de Smith deveria ser sistematizado, os princípios separados das considerações empíricas. A obra de Smith tinha ainda que ser interpretada e completada. As investigações empreendidas dentro desse espírito comum seguiram, no entanto, caminhos bastante diferenciados, dando lugar a sistemas de economia política incompatíveis entre si. Pretendo comparar algumas das tentativas de articulação do paradigma clássico, com o objetivo de esclarecer alguns pontos do processo pelo qual a comunidade científica seleciona suas teorias. Para conciliar a dimensão com, o caráter do trabalho -uma dissertação de mestrado- a comparação entre os sistemas de economia política será limitada às teorias do valor e aos mecanismos de funcionamento do mercado. Esses conceitos pertencem ao núcleo da Economia Política clássica. Serão considerados também fatores externos relacionados com a história econômica e social do período enfocado, que podem ter influenciado a aceitação das teorias. (AU)