Busca avançada
Ano de início
Entree

Automação microeletrônica e qualificação operária na indústria sucroalcooleira paulista

Processo: 98/03311-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de novembro de 1998
Vigência (Término): 31 de outubro de 2000
Área do conhecimento:Engenharias - Engenharia de Produção - Gerência de Produção
Pesquisador responsável:Farid Eid
Beneficiário:Sandro da Silva Pinto
Instituição-sede: Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Automação industrial   Controle de processos   Indústria sucro-alcooleira

Resumo

O processo gradual de desregulamentação estatal, iniciado em meados dos anos 80, é um dos elementos centrais para explicar a reconfiguração, em termos de concentração e centralização de capitais no setor sucroalcooleiro nacional, destacando-se o Estado de São Paulo (Eid, 1994; Vian, 1997). Elementos como a restruturação produtiva-organizacional, traduzida pela difusão das adaptações técnicas e das mudanças tecnológicas no processo industrial, acompanhados por mudanças nas técnicas de gestão da força de trabalho (Eid, 1994; Eid & Scopinho, 1995), estão interelacionados e fazem parte da dinâmica da reconfiguração. No setor sucroalcooleiro dos anos 90, o Sistema Digital de Controle Distribuído, o qual possibilita controle centralizado das informações, vem sendo desativado em diversas plantas industriais do Estado de São Paulo, seguindo tendência contrária à difusão em outras indústrias de processo contínuo, como a petroquímica e papel e celulose. Na produção industrial sucroalcooleira, verificamos em pesquisa anterior, que a re-difusão dos equipamentos para supervisão, do tipo controlador lógico programável - CLP - vem sendo a alternativa empresarial da automação microeletrônica - AME - para o controle do processo produtivo, mas em novas bases, através de sistema flexível, permitindo-se uma gradual interligação do sistema. No entanto, é processo delicado porque pressupõe a colaboração dos trabalhadores envolvidos, acompanhado pela revalorização do saber profissional dos operários da produção (Eid, Silva Pinto & Chan, 1997). Na relação capital-trabalho, a automação possibilita uma redução e segmentação da força de trabalho, causando talvez uma divisão entre os que aderem ou não ao projeto de restruturação produtiva e organizacional. Ademais, há implicações políticas, pois está em jogo também o controle na condução do processo produtivo. Portanto, observamos que com a introdução da AME para controle de processos, utilizada com os equipamentos tradicionais e associada às mudanças organizacionais, há novas exigências em termos de qualidade do resultado do trabalho, nível de qualificação, habilidades manuais e mentais e desempenho do trabalhador. A hipótese geral que norteia a análise é que não há restrições técnicas quanto à utilização das novas tecnologias de base microeletrônica combinada com a tecnologia analógica convencional. Ocorre um movimento de requalificação dos trabalhadores porque, devido às características peculiares do processo produtivo do açúcar e do álcool e do desenvolvimento dos "macetes de ofício" pelos operários, os projetistas estão sendo levados a adaptar a tecnologia ao nível do saber acumulado no dia a dia dos próprios operários industriais, o que não significa obter a otimização, mas possibilita o funcionamento com reduções de custos devido ao maior prolongamento da produção contínua, sem paradas e/ou buchas e menores custos de manutenção preventiva e corretiva. No entanto, tal modernização nem sempre conduz à melhorias nas condições de trabalho, pois o estresse físico, mental e também psíquico continuam se manifestando, segundo relatos de operários e observações preliminares. A proposta de tema de dissertação de mestrado visa aprofundar os estudos existentes sobre a organização do trabalho na indústria sucroalcooleira paulista, analisando a relação capital-trabalho no setor industrial, em particular, as estratégias empresariais no processo de introdução da automação microeletrônica e os impactos na organização do trabalho industrial, tendo a qualificação profissional como elemento central na análise. (AU)