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Terapêutica experimental para cardiomiopatia chagásica crônica no hamster sírio cronicamente infectado por T.cruzi

Processo: 01/13608-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de março de 2002
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2006
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Imunologia
Pesquisador responsável:Edecio Cunha Neto
Beneficiário:Angelina Morand Bianchi Bilate
Instituição-sede: Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil

Resumo

Cerca de 30% dos 16 milhões de indivíduos infectados pelo Trypanosoma cruzi podem desenvolver a cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), e desses, 10% podem desenvolver a forma grave da CCC que freqüentemente pode levar ao óbito por insuficiência cardíaca congestiva (ICC) intratável. Os tratamentos anti-T. cruzi disponíveis são pouco eficazes para a fase crônica, seja para cura, regressão ou inibição da evolução a curto e médio prazo e os tratamentos de suporte para a disfunção ventricular na CCC apresentam eficácia variável. Tais tratamentos para pacientes cardiopatas chagásicos portadores de ICC são direcionados para combater as conseqüências da agressão miocárdica e, portanto, terapias mais eficientes poderiam ser desenvolvidas com base nos mecanismos fisiopatológicos das agressões. Os mecanismos determinantes da progressão para o dano miocárdico extenso e progressivo ainda são assunto de intenso debate. O infiltrado inflamatório tem sido implicado como efetor do dano tecidual através da produção de citocinas pró-inflamatórias. Análises de imuno-histoquímica mostraram a presença abundante de IFN-γ e TNF-α no tecido cardíaco de pacientes portadores de CCC. Dados do nosso laboratório sugerem que mecanismos de reação cruzada entre a miosina cardíaca e a proteína B13 de T. cruzi tenham papel revelante na patogenia da CCC. Nossos resultados anteriores mostraram, através de métodos quantitativos, que o hamster Sírio desenvolve uma cardiomiopatia grave após infecção crônica pelo T. cruzi semelhante à CCC humana com infiltrado inflamatório multi-focal ou difuso, fibrose intensa, disfunção ventricular, dilatação e óbito, sendo um modelo adequado para o estudo das formas graves da CCC. O objetivo do presente trabalho é avaliar o efeito de intervenções sobre a resposta auto-imune e mediadores inflamatórios visando o controle da CCC no hamster Sírio e esclarecer mecanismos de patogênese. Fêmeas serão infectadas via intraperitoneal com 105 tripomastigotas sanguíneos da cepa Y de T. cruzi, enquanto que o grupo controle será injetado com solução salina. Os animais infectados serão tratados com: (1) pentoxifilina (ptx), droga que inibe a produção de citocinas pró-inflamatórias; (2) etanercept ou infliximab, drogas recombinantes que neutralizam TNF-α; (3) miosina cardíaca suína, através de indução de tolerância nasal, já que a miosina cardíaca é o único autoantígeno cardíaco definido reconhecido por linfócitos T na doença de Chagas. As drogas serão administradas a partir do 8º mês de infecção e a indução de (tolerância será realizada de duas maneiras distintas: três dias antes ou a partir do 8º mês de infecção. Para avaliar o efeito das intervenções, a função ventricular de cada animal será avaliada por ecocardiografia previamente a infecção e após 8 e 12 meses de infecção. Após 12 meses de infecção, os corações serão submetidos a estudo histopatológico onde serão quantificados: (1) infiltrado inflamatório e (2) área de colágeno intersticial e perivascular. A presença de antígenos ou DNA de cinetoplasto do T. cruzi no tecido cardíaco será avaliada por imunohistoquímica e por PCR, respectivamente. No tecido cardíaco também será analisada a expressão de RNAm de citocinas (IFN-γ, TNF-α, TGF-β, IL-2, IL-4, IL-10 e IL-12). A sensibilização à miosina cardíaca e proteína B13 será avaliada através do teste , de hipersensibilidade tardia. A determinação da reatividade de IgG sérica contra extrato antigênico de T. cruzi, proteína B13 de T. cruzi e miosina cardíaca suína será avaliada por ELISA e Western blot. Este tipo de estudo poderá fornecer informações a curto prazo sobre formas específicas de tratamento para a CCC humana além de esclarecer mecanismos de patogênese. A caracterização do estágio evolutivo da doença de Chagas permitiria um melhor seguimento e perspectivas de tratamento precoce para a disfunção ventricular. (AU)