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Psycho Eugenia, em São Paulo: um recorte através dos periódicos psiquiátricos, 1900-1940

Processo: 97/12673-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 1998
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2000
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Fundamentos e Medidas da Psicologia
Pesquisador responsável:Marina Massimi
Beneficiário:Andre Luis Masiero
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Psiquiatria   Periódicos científicos

Resumo

A eugenia, ciência fundada por Francis Galton, no século XIX, procurava estabelecer as condições ideais de reprodução humana, visando o melhoramento racial com a progressiva extinção dos degenerados físicos e mentais. Estas idéias foram amplamente aceitas pelos intelectuais brasileiros, sobretudo pelos médicos e psiquiatras, entre eles, Franco da Rocha, Antonio Carlos Pacheco e Silva, Renato Khel, Ernani Lopes, etc., entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Isto abre uma das muitas dimensões do pensamento eugênico à exclusivamente psicológica, a qual, por sua vez, pode ser analisada a partir de duas possibilidades, tanto a incorporação da eugenia pela psiquiatria, quanto os conceitos psicológicos inerentes à própria eugenia (quantificação da inteligência e comportamento das raças, personalidade, etc.). Objetivamos levantar este capítulo da história dos saberes psicológicos no Brasil, através dos periódicos paulistas deste gênero, onde estas idéias foram amplamente divulgadas. O psiquiatra paulista Ernani Lopes, apropriando-se das idéias da eugenia propôs a Psycho Eugenia, ciência que, através do controle da hereditariedade dos degenerados mentais, procurava melhorar as condições psicológicas da raça. Este é o conceito central de nossa proposta de trabalho. Esta apropriação fundamentou uma das principais tentativas de ação da psiquiatria profilática e da emergente psicologia,, as quais propunham esterilizações compulsórias dos doentes mentais; internações eugênicas, isto é, "retirar o louco de circulação" para que não houvesse o risco de procriar estirpes degeneradas; controle da imigração, uma vez que determinados grupos raciais, como o negro e o japonês, bem como os mestiços, estavam predispostos às doenças mentais e comportamentos indesejáveis. Desaconselhar ou mesmo proibir casamentos entre determinados grupos raciais ou entre degenerados mentais, constituía também outra proposta psico eugênica, muitas vezes defendida por congressistas, em sessões da câmara, a fim de transformá-la em lei. Pretendemos demonstrar, com este trabalho, que a eugenia, aliada às ciências comportamentais e psiquiatria, constituiu um notável aparato disciplinar, na tentativa de eliminar certos comportamentos e doenças mentais, através do melhoramento racial, pois contava com um discurso científico aliado a um projeto político sólido em tomo do desenvolvimento nacional. (AU)