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Entrelinhas: fronteiras socio-simbolicas e etnogenese dos tumbalala de pambu(ba).

Processo: 99/01607-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de agosto de 1999
Vigência (Término): 31 de julho de 2001
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Etnologia Indígena
Pesquisador responsável:Dominique Tilkin Gallois
Beneficiário:Ugo Maia Andrade
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Identidade étnica   Antropologia política

Resumo

O processo de etnogênese que vem ocorrendo entre os Tumbalalá, etnônimo de um grupo de "índios misturados" do sertão baiano, apresenta algumas especificidades que, embora não deixem de situá-los no panorama geral histórico-político dos índios do Nordeste, os distinguem do que, comumente, tem se observado como "padrão" para tais movimentos entre esses povos indígenas. Tais especificidades incidem, sobretudo, no cenário fundiário vivido pelos Tumbalalá, pois o território reivindicado por suas lideranças não está sendo, presentemente, alvo de disputas com posseiros regionais não-índios. Isto contribui, significativamente, para configurar dois aspectos singulares no processo de etnogênese do grupo: o direcionamento prático de seu movimento para os benefícios que devem surgir com uma tutela oficial pela FUNAI e o baixo índice de mobilização do grupo, como um todo, delegando às suas lideranças um notável papel de articulação do movimento. Junto com as motivações instrumentais, o grupo compartilha de uma memória social que o faz uma comunidade imaginada de ancestralidade cabocla, perdurando entre eles fortes referências rituais e religiosas que remetem a um universo de distintividade frente aos brancos regionais e aos índios Truká, habitantes de uma aldeia próxima. A proposta é investigar os componentes políticos e simbólicos vigentes na etnogênese Tumbalalá, relevando a presença de um sistema interétnico desprovido de tensões fundiárias e o faccionalismo interno ao grupo. O projeto toma por principal diretriz teórica a noção barthiana de grupo étnico enquanto organizational type, mas entende que as ações pragmáticas que visam a manipulação da identidade étnica são complementadas e informadas por alguns sentimentos subjetivos, comuns ao grupo, que lhes fornece uma unidade subjacente. (AU)