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Impacto da vegetação nos microclimas urbanos em função das interações solo-vegetação-atmosfera

Texto completo
Autor(es):
Paula Shinzato
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
Data de defesa:
Membros da banca:
Denise Helena Silva Duarte; Lucila Chebel Labaki; Leonardo Marques Monteiro; Humberto Ribeiro da Rocha; Demóstenes Ferreira da Silva Filho
Orientador: Denise Helena Silva Duarte
Resumo

Este trabalho tem por objetivo quantificar o impacto da vegetação nos microclimas urbanos abaixo do dossel, em função das interações solo-vegetação-atmosfera. Essas interações consideram os efeitos: 1) do dossel propriamente dito, expressos pelas variáveis índice de área foliar - IAF (Leaf Area Index - LAI) e distribuição geométrica das aberturas na copa (gap fraction); 2) da cobertura do solo, expressa pela composição do solo, sua temperatura e teor de umidade, e 3) das variáveis microclimáticas locais (temperatura do ar, umidade do ar, radiação solar, temperatura radiante media, temperatura superficial, direção e velocidade dos ventos). Considerando-se que o impacto da vegetação nos microclimas urbanos é função das interações solo-vegetação-atmosfera, e tendo em vista resultados de estudos anteriores, a hipótese deste trabalho é que, para o clima de São Paulo, em função dos processos de evapotranspiração e do sombreamento, a redução na temperatura do ar abaixo do dossel em parques urbanos será de cerca de 1o C e a redução da temperatura superficial será de cerca de 20oC, ambas em relação às áreas não sombreadas pela vegetação, e que esses efeitos limitam-se à borda do parque sob condições de baixa velocidade do vento, de cerca de 1 m/s. O método é 1) indutivo, por meio de medições de campo durante o período de dias quentes e frios no Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), na cidade de São Paulo, para o registro de dados microclimáticos e para o levantamento das variáveis do dossel e do solo; e 2) dedutivo, com a calibração entre dados medidos e simulados pelo modelo ENVI-met 3.1 Beta 5 e a simulação de diferentes cenários, variando-se as características do dossel. Para se estimar a densidade foliar média das copas foram adotados dois métodos não-destrutivos indiretos: a medição do IAF com o equipamento LAI-2000 (LI-COR) e a análise das fotos hemisféricas, utilizando-se o aplicativo Can-Eye. De acordo com os resultados das simulações, variando-se as caraterísticas do dossel, verificou-se uma redução máxima de 1ºC na temperatura do ar e de 19°C na temperatura superficial, ao se comparar os valores obtidos abaixo de uma copa densa (forma elíptica e IAF 5m2/m2) em relação às condições do entorno, fora do parque. Esse efeito se estende por, no máximo, 5m de distância a partir dos limites do parque, com velocidade do ar de 1m/s e umidade de 40% na camada superficial do solo (0-20cm). Foi feita a aplicação do TEP - Temperatura Equivalente Percebida e verificou-se que a redução de 1°C na temperatura do ar pode representar de 3°C a 5°C no conforto térmico das pessoas. Esses resultados comprovam a hipótese inicial e mostram não apenas a importância do tipo de vegetação escolhida (formato da copa, IAF e distribuição geométrica das aberturas na copa) como as características do meio em que ela está inserida (condições microclimáticas locais e de solo). Os resultados podem contribuir para a formulação de políticas públicas visando à mitigação dos efeitos de aquecimento urbano, particularmente diurnos, em climas tropicais. (AU)

Processo FAPESP: 10/51125-0 - O impacto da vegetacao dos microclimas urbanos em funcao das interacoes solo-vegetacao-atmosfera
Beneficiário:Paula Shinzato
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado