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Em busca da normalidade : sendo-com adolescentes com insuficiência renal crônica

Autor(es):
Marcela Astolphi de Souza
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Enfermagem
Data de defesa:
Membros da banca:
Ana Regina Borges Silva; Regina Issuzu Hirooka de Borba
Orientador: Luciana de Lione Melo
Resumo

A adolescência deve ser considerada como um momento existencial para além da idade cronológica, da puberdade e das transformações físicas, porquanto não existe uma única adolescência sem temporalidade. Promover, prevenir e cuidar da saúde do adolescente no Brasil é um desafio, pois embora existam políticas públicas, estas não se constituem em garantia de direitos. O adolescente com doença crônica é uma realidade considerando-se o perfil de morbimortalidade atual que evidencia o aumento das doenças crônicas e a diminuição das doenças infectocontagiosas e parasitárias. Como a maioria das doenças crônicas na infância, a insuficiência renal crônica pode ser progressiva e fatal, requerendo cuidados especializados permanentes e submetendo o adolescente a hospitalizações durante o processo de crescimento e desenvolvimento. A insuficiência renal crônica não desencadeia apenas desequilíbrios no organismo, mas interfere na qualidade de vida dos adolescentes, podendo contribuir para o aparecimento de transtornos emocionais relacionados aos impactos negativos oriundos das dificuldades que envolvem a relação com os pares, a participação social e a manutenção das atividades diárias, levando-os a sentimentos de inferioridade e baixa autoestima. O objetivo deste estudo foi compreender o ser-com o adolescente com insuficiência renal crônica a partir do seu discurso de ser-no-mundo. Trata-se de um estudo fenomenológico, fundamentado na Fenomenologia Existencial de Martin Heidegger, realizado com seis adolescentes que estavam vivenciando a insuficiência renal crônica e que são atendidos num hospital de ensino, público, localizado no interior do Estado de São Paulo. Os adolescentes foram entrevistados a partir da questão norteadora "como é ser adolescente com insuficiência renal crônica?" A compreensão dos discursos se deu por meio das descrições das experiências vividas e de acordo com a modalidade de pesquisa qualitativa adotada ¿ análise da estrutura do fenômeno situado. A partir da escuta dos discursos dos adolescentes com insuficiência renal crônica foi possível apreender algumas facetas de como é ser-adolescente-com-insuficiência-renal-crônica, emergindo os seguintes aspectos existenciários deste ser-aí: Sentindo-se diferente, Vivenciando a insuficiência renal crônica por meio da terapia renal substitutiva e Buscando a normalidade. A partir destes eixos temáticos, buscou-se alcançar o sentido heideggeriano do fenômeno em questão. Para os adolescentes, a factualidade é ter a insuficiência renal crônica e esta determina as suas ocupações dentro de um mundo que acontece e que ele se encontra lançado. Ocupam-se com o tratamento e com os cuidados que a doença implica em suas vidas e demonstram que estas ocupações fazem parte de suas existências. Ao apresentarem-se envolvidos na sua factualidade, eles mostram as formas do seu sendo-no-mundo-com-insuficiência-renal-crônica de modo singular. Os jovens associaram a questão do viver com a insuficiência renal crônica à sua própria condição ôntica e a partir de referências já inseridas no seu mundo-vida, apresentaram tentativas de normalizar a situação da doença, ocultando aquilo que se mostra para eles mesmos, da sua própria condição. Diante disto, foi possível apreender que os modos de lidar com as questões existenciais são diferentes e consideram a historicidade e a temporalidade para um ter-que-ser. Assim, diante do ter-que-ser-adolescente-com-insuficiência-renal-crônica, a Enfermagem precisa compreender os modos-de-ser-no-mundo dos adolescentes e (re)pensar o que pode ser realizado e de que maneira, para melhorar o cuidado ao adolescente que, como sujeito de sua história, é permeado por fragilidades e singularidades próprias, em que o adolescente tem sempre a possibilidade de ser e também de poder-não-ser. (AU)

Processo FAPESP: 12/21148-3 - Em busca da normalidade: sendo-com adolescentes com insuficiência renal crônica
Beneficiário:Marcela Astolphi de Souza
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado