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Ecomorfologia e estrategias reprodutivas nos Boidae (Serpentes), com enfase nas especies neotropicais

Autor(es):
Ligia Pizzatto do Prado
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Selma Maria de Almeida Santos; Andre Victor Lucci de Freitas; Ricardo Janini Sawaya; Wesley Rodrigues da Silva
Orientador: Otavio Augusto Vuolo Marques
Resumo

Síndromes morfológicas relacionadas ao uso do ambiente têm sido observadas em diversas serpentes. Entretanto, a morfologia corporal pode estar associada à linhagem filogenética dos organismos. Portanto, estudos eco-morfológicos podem ser melhor realizados utilizando-se métodos comparativos. Utilizando-se espécimes depositados em coleções, os Boidae (subfamílias Boinae e Pythoninae) foram comparados quanto à morfologia corporal e sua relação com o uso do ambiente. Espécies arborícolas apresentam maior compressão lateral do corpo e cauda relativamente maior quando comparadas àquelas terrícolas e aquáticas, mesmo quando removido o efeito filogenético. O dimorfismo sexual ocorreu em relação ao comprimento rostro-cloacal (CRC), tamanho relativo da cabeça, da cauda, circunferência corporal, compressão lateral do corpo e tamanho do esporão. Entretanto, dentre os Boinae, o dimorfismo de CRC não foi observado na maioria das espécies que apresentam combate (Epicrates spp.) e o de cauda não foi observado nas arborícolas. Na maioria dos casos o dimorfismo resulta de crescimento diferencial entre os sexos já que não estão presentes em recém-nascidos. A otimização dos caracteres morfológicos e de uso do ambiente nas hipóteses filogenéticas disponíveis sugere que os Boidae sofreram poucas modificações ao longo da evolução, muitas das quais representam autapomorfias das espécies ou subespécies. Duas hipóteses filogenéticas concordam que o ancestral dos Boinae possuía cauda curta, circunferência corporal moderada, cabeça pequena, baixo índice de dimorfismo sexual de CRC (SSD) e era semi-arborícola. Mas, não concordam em como seria o ancestral quanto ao tamanho corporal e compressão lateral do corpo. Informações sobre a biologia reprodutiva dos Boinae Neotropicais são restritas e referem-se basicamente a espécimes em cativeiro. Este trabalho apresenta informações sobre a ecologia reprodutiva dessas serpentes, a partir de exemplares preservados em coleções, e compara com as informações disponíveis na literatura para os Erycinae e Pythoninae. Com exceção de Corallus hortulanus e Eunectes murinus, todas as espécies apresentaram vitelogênese concentrada no outono-inverno, gestação do final do inverno até a primavera e nascimentos no final da primavera até o verão. Cópula foi observada em poucas espécies (Boa constrictor ssp. e Epicrates cenchria crassus) e ocorreu do outono até início do inverno. As espécies do gênero Corallus apresentaram vitelogênese mais prolongada. A gestação em C. hortulanus ocorreu desde o final do verão até início do inverno e os nascimentos no outono-inverno. Eunectes murinus apresentou vitelogênese na primavera, a gestação durante o verão e os nascimentos no outono-inverno. O ciclo testicular foi sazonal em B. c. constrictor (pico de espermatogênese no verão) e em E. c. crassus (pico de espermatogênese no verão-outono) e contínuo nas demais espécies analisadas (C. hotulanus, E. c. assisi e E. c. cenchria). O tamanho da ninhada variou de acordo com o tamanho das espécies. O padrão reprodutivo da maioria dos Boinae analisados parece diferir dos Boinae de Madagascar e dos Erycinae, assemelhando-se ao padrão da maioria dos Pythoninae. O tamanho da ninhada e dos recém-nascidos é semelhante nas sub-famílias Boinae e Pythoninae (AU)

Processo FAPESP: 02/12954-4 - Estratégias reprodutivas em Boinae neotropicais (Serpentes: Boidae)
Beneficiário:Lígia Pizzatto do Prado
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado