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Respiração e pensamento : a abertura da escrita na obra de Jean-Luc Nancy

Autor(es):
Paola Sanges Ghetti
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da Linguagem
Data de defesa:
Membros da banca:
Mauricio Mendonça Cardozo; Marcelo Jacques de Moraes; Eduardo Sterzi; Tiago Guilherme Pinheiro
Orientador: Marcos Antonio Siscar
Resumo

Esta tese se propõe a refletir sobre a abertura da escrita na obra de Jean-Luc Nancy como um modo de mobilizar o pensamento numa respiração, arriscando-se a si mesmo no contato com o outro. Esse contato é inseparável do batimento mesmo da língua, que prova a si mesma e a sua estrangeiridade ao tatear incansavelmente o limite de um contato a partir do qual o outro se ausenta. Partindo de uma reflexão sobre a necessidade de manter-se próximo às coisas - a despeito de um pensamento sobre elas - abordamos a inquietude de Nancy com a ideia de ter um método. Tal necessidade do contato sensível é elaborada a partir de leituras que levam o pensamento a um lugar trêmulo, que se dá na simultaneidade do que não se diz e o meio com o qual algo é dito. Furtando-se ao que seriam os mecanismos enclausuradores do discurso, a inquietude com a filosofia leva o autor a aproximar-se da experiência da literatura e da arte, o que se expressa no caráter extremamente difuso da obra, composta da demanda em partilhar da produção artística contemporânea. A mesma experiência de contato da língua é também vivida através de uma dificuldade, como esforço em manter uma suspensão na tentativa de pontuar o momento no qual o pensamento rumina sua existência compartilhada com o mundo na linguagem. O peso ou a gravidade do pensamento na escrita se dá no desejo de um sentido comum e, ao mesmo tempo, de uma demasiada cautela com relação aos riscos, homogêneos e definidores, de uma compreensão do comum como aquilo ao qual se retornaria, anulando assim o próprio peso. A respiração é ainda tomada a partir da desconstrução da religião de Nancy, que acompanha o desenvolvimento de uma história do sentido. Com isso, o autor quer pôr em evidência o que desde as origens do monoteísmo se saberia e diria sem razão, numa linguagem que dá voz à ausência de uma finalidade. Nesta perspectiva, a linguagem operaria um sentido sem finalidade, se dando como um espaço através do qual homem e mundo se tocam e se tornam possíveis. (AU)

Processo FAPESP: 12/06961-0 - Diante do coração roubado - estudo das relações entre os pensamentos de Jacques Derrida e Jean-Luc Nancy
Beneficiário:Paola Sanges Ghetti
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado