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Floristica, espectro biologico e padrões fenologicos do cerrado sensu lato no Parque Nacional das Emas (GO) e o componente herbaceo-subarbustivo da flora do cerrado sensu lato

Autor(es):
Marco Antonio Portugal Luttembarck Batalha
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Leopoldo Magno Coutinho; Waldir Mantovani; Jose Felipe Ribeiro; George Shepherd
Orientador: Fernando Roberto Martins
Resumo

O cerrado é o segundo tipo vegetacional brasileiro em extensão territorial. Entre as reservas que o protegem, o Parque Nacional das Emas (PNE) é uma das maiores e mais bem preservadas. O PNE, com cerca de 132.000 ha, está localizado no Planalto Central Brasileiro, no sudoeste de Goiás, sob clima tropical subquente úmido com três meses de seca no inverno. A maior parte do PNE, mais de 90% de sua área, é coberta por fisionomias de cerrado (campo limpo, campo sujo, campo cerrado ou cerrado sensu stneto). Até o momento, os únicos estudos desenvolvidos no PNE envolviam sua fauna (especialmente, a de maior porte) ou o fogo. De novembro de 1998 a outubro de 1999, realizamos um levantamento florístico nas fisionomias de cerrado no PNE, quando encontramos 601 espécies, pertencentes a 303 gêneros e 80 famílias. Entre as espécies coletadas, 12 foram invasoras e sete, novas para ciência. A proporção entre espécies herbáceo-subarbustivas e arbustivo-arbóreas foi de 3,03:1. As famílias mais ricas em espécies foram Asteraceae, Fabaceae, Poaceae, Myrtaceae e Lamiaceae, que compreenderam 48% do total de espécies. Os resultados encontrados nesse levantamento mostraram a importância do PNE para a conservação do cerrado, pois de 8 a 20% das espécies relacionadas para essa formação vegetal ocorrem na reserva. Comparamos a distribuição de espécies por famílias obtidas para a flora do PNE com aquelas obtidas por outros autores para o Domínio do Cerrado e o cerrado sensu lato. Usamos esses padrões mais gerais como modelos nulos contra os quais a distribuição de espécies por famílias no PNE foi testada, caracterizando assim sua flora e discutindo alguns padrões fitogeográficos. As distribuições dos tamanhos de famílias e gêneros foram deslocadas para a menor classe, com um maior número de famílias e gêneros com uma única espécie. A distribuição de espécies por famílias no PNE foi significativamente diferente daquelas encontradas tanto no Domínio do Cerrado quanto nos componentes herbáceo-subarbustivo e arbustivo-arbóreo do cerrado sensu lato. O componente herbáceo-subarbustivo da flora do cerrado no PNE se caracterizou pela super-representação de Myrtaceae e subrepresentação de Orchidaceae e Lythraceae, e o componente arbustivo-arbóreo, pela maior proporção do que a esperada de Myrtaceae e Nyctaginaceae. Quando comparado com áreas disjuntas de cerrado, o PNE se mostrou bem distinto, não só em nível de espécie, mas também em nível de família. A partir da lista florística obtida nas fisionomias de cerrado no PNE, nós construímos o espectro biológico dessa flora, segundo o sistema de Raunkiaer. As principais formas de vida foram os hemicriptófitos e os fanerófitos, que representaram, respectivamente, 49,92% e 24,79% do número total de espécies. Quando comparados ao espectro normal de Raunkiaer, o espectro do PNE foi significativamente diferente, devido especialmente à maior proporção de hemicriptófitos. Outros sítios de cerrado também apresentaram maiores proporções de hemicriptófitos e fanerófitos, embora a importância relativa dessas classes tenha variado conforme as fisionomias predominantes. Quando comparados a espectros biológicos de outras formações vegetais, os sítios de cerrado formaram um grupo distinto, com autovalores mais próximos daqueles dos hemicriptófitos e fanerófitos. Os sítios de cerrado se distinguiram dos das demais savanas pela subrepresentação dos terófitos. Ainda que algumas vezes criticado quanto à sua aplicabilidade em comunidades tropicais, o sistema de Raunkiaer foi útil para caracterizar as floras de cerrado e separá-las dos demais tipos vegetacionais. No cerrado, como em outras savanas, os padrões fenológicos estão fortemente associados à estacionalidade climática. Os padrões de floração e frutificação da comunidade foram analisados, relacionando-os às síndromes de dispersão e comparando os componentes herbáceo-subarbustivo e arbustivo-arbóreo. O componente herbáceo-subarbustivo se caracterizou pela maior proporção de espécies autocóricas, e o componente arbustivo-arbóreo, pela maior proporção de espécies zoocóricas. Houve uma estacionalidade marcante nos padrões de floração e frutificação da comunidade, embora eles tenham sido diferentes entre os componentes herbáceo-subarbustivo e arbustivo-arbóreo. As espécies arbustivo-arbóreas floresceram principalmente no início da estação chuvosa, enquanto que as herbáceo-subarbustivas floresceram geralmente no final dessa estação. Na estação seca, quando a dispersão de seus diásporos é mais eficiente, a proporção de espécies anemo e autocóricas frutificando foi maior. Durante a estação chuvosa, quando seus frutos podem se manter atrativos por mais tempo, as espécies zoocóricas frutificaram em maior número. Ainda que freqüentemente negligenciado, o componente herbáceo-subarbustivo da flora do cerrado é mais rico do que o componente arbustivo-arbóreo, muito mais estudado. Tentamos compilar um listagem das espécies herbáceo-subarbustivas que ocorrem no cerrado, usando como critério de inclusão a classe de forma de vida. Todas as espécies não-fanerofíticas foram consideradas como pertencentes ao componente herbáceo-subarbustivo. Listamos 2.856 espécies, um número maior do que o limite inferior de uma estimativa anterior. As famílias mais ricas foram Asteraceae, Fabaceae, Poaceae, Euphorbiaceae, Lamiaceae, Rubiaceae e Orchidaceae, que englobaram 53,47% do número total de espécies. A distribuição dos tamanhos das famílias no cerrado como um todo pode ser usada para comparar e caracterizar o componente herbáceo-subarbustivo de áreas de cerrado. Os gêneros mais ricos foram Hyptis, Vernonia, Chamaecrista, Paspalum e Mimosa, todos pertencentes a uma das famílias mais bem representadas. Nossa listagem provavelmente é uma subestimativa do número verdadeiro de espécies no componente herbáceo-subarbustivo da flora do cerrado, devido aos poucos levantamentos disponíveis em que essas espécies tenham sido também coletadas. Futuros estudos que lidem com a vegetação do cerrado não podem mais ignorar o io componente herbáceo-subarbustivo, que é mais rico e mais vulnerável do que o componente arbustivo-arbóreo (AU)

Processo FAPESP: 97/13697-5 - Florística e padrões fenológicos do cerrado "sensu lato" no Parque Nacional das Emas (mineiros, GO)
Beneficiário:Marco Antônio Portugal Luttembarck Batalha
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado