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Baixas doses de melatonina exógena no diabetes experimental : implicações para a estrutura, função e defesa antioxidante do testículo e epidídimo de ratos = Low doses of exogen melatonin under experimental diabetes: implications for rat testicular and epididimal structure, function and antioxidant defense

Autor(es):
Carolina Frandsen Pereira da Costa
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Glaura Scantamburlo Alves Fernandes; Raquel Fantin Domeniconi
Orientador: Rejane Maira Góes
Resumo

Existem inúmeras evidências de que o diabetes afeta a função reprodutiva masculina, provocando danos aos parâmetros espermáticos, e portanto, influenciando a fertilidade dos indivíduos afetados. A melatonina é um hormônio secretado pela glândula pineal que apresenta uma extensa gama de atuações, dentre elas um papel fundamental no controle da esteroidogênese e na proteção contra radicais livres. O objetivo deste estudo foi avaliar se a melatonina oferecida oralmente, em baixas doses, concomitante à maturação sexual, afeta os parâmetros reprodutivos de ratos saudáveis na idade adulta, e se interfere nos danos reprodutivos induzidos pelo diabetes experimental. Ratos Wistar machos com 4 semanas de idade foram divididos em oito grupos (n=15/grupo): os quatro primeiros foram eutanaziados com 14 semanas de idade, sendo respectivamente - controle (CS), tratados com melatonina (MS), diabéticos (DS) e tratados com melatonina submetidos ao diabetes (MDS); por sua vez, os quatro últimos foram eutanasiados na 21ª semana de vida- controle (CL), tratados com melatonina (ML), diabéticos não tratados (DL) e diabéticos tratados com melatonina (MDL). A melatonina foi disponibilizada na água de beber (10 µg/Kg p.c. em 0,001% etanol/dia) diariamente à partir da 5ª semana de idade, enquanto o diabetes foi induzido na 13a semana de vida com uma dose única de estreptozotocina (4,5mg/100g p.c., i.p.) nos grupos DS, DL, MDS e MDL. No primeiro conjunto de subgrupos (Grupos S), o período diabético correspondeu a uma semana, enquanto no segundo conjunto (Grupos L), este período se referiu a dois meses. Ratos diabéticos apresentaram hiperglicemia, redução marcante no peso corpóreo, queda acentuada nos níveis circulantes de testosterona, e em condições tardias da doença, atrofia do epidídimo. Análises histológicas e estereológicas indicaram alterações no compartimento intersticial do testículo, descolamento prematuro de células germinativas e vacuolização de células de Sertoli, porém lesões mais severas, como a depleção do epitélio germinativo, foram observadas em apenas um animal após dois meses de doença. Além disso, não houve prejuízos à produção diária de espermatozoides. Por outro lado, as contagens espermáticas foram reduzidas na cauda do epidídimo, e o tempo de trânsito foi acelerado em todos os seus segmentos à longo termo. A motilidade espermática foi prejudicada, e o número de células aberrantes no lúmen dos duetos do epidídimo foi acentuadamente maior do que em animais saudáveis. Houve um espessamento do tecido estromal em alguns segmentos, com aumento da frequência de fibras colágenas e musculatura lisa. O diabetes levou a um aumento sistêmico nos níveis de glutationa peroxidase (GPx) e níveis de malonaldeído (MDA), os quais não foram restaurados pela ingestão de melatonina. A atividade da glutationa transferase (GST), por sua vez, foi reduzida no sangue de animais diabéticos, independente do tratamento com melatonina. No testículo, houveram alterações marginais no sistema antioxidante relacionadas à condição diabética, o que não ocorreu no epidídimo. O tratamento de animais saudáveis com melatonina desde a idade pré-púbere não provocou disfunções reprodutivas na idade adulta, apesar de levar à uma redução na testosterona sérica, e não alterou os biomarcadores relacionados à resposta antioxidante. Porém, o tratamento com melatonina anterior e concomitante à condição diabética evitou alguns danos associados a esta desordem, particularmente ao que se refere ao epidídimo, pois à curto prazo impediu a redução da reserva espermática, e atenuou os danos à motilidade espermática em ambos os períodos, apesar de não impedir a atrofia observada no segmento distal. Em relação à histologia do órgão, a melatonina pareceu evitar o desenvolvimento de fibrose no estroma do epidídimo, embora esta resposta tenha sido confinada à sub-regiões particulares. A ingestão de melatonina também evitou lesões severas ao epitélio germinativo, e preveniu alterações morfológicas nas células de Leydig. A esteroidogênese não foi tão prejudicada quanto nos diabéticos não-tratados, e este padrão foi acompanhado por um aumento expressivo de células AR-positivas no testículo de diabéticos tratados à longo termo. Portanto, nossas evidências permitem sugerir que a ingestão diária de 10 µg/Kg p.c. de melatonina oferecida desde a fase pré-púbere não compromete a função testicular ou do epidídimo, mas apresenta um efeito positivo sobre a secreção de testosterona, que é afetada pelo diabetes. Como a redução na esteroidogênese provocada pela ingestão de melatonina foi permanente, nossos dados sugerem que seu consumo prolongado leva a uma reprogramação das células de Leydig ou do eixo hipotálamo-hipófise-gônada. A ingestão de melatonina também preserva a motilidade espermática, porém sem restaurar a atrofia epididimal ou a reserva espermática nos animais diabéticos. Comparando os efeitos de longo termo aos efeitos agudos do diabetes experimental de uma semana, infere-se que a melatonina age de maneira diferencial de acordo com o desenvolvimento da doença. (AU)

Processo FAPESP: 13/07210-0 - Baixas doses de melatonina exógena no diabetes experimental: implicações para a estrutura, função e defesa anti-oxidante do testículo e epidídimo de ratos.
Beneficiário:Carolina Frandsen Pereira da Costa
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado