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Utilização de biomarcadores de dose interna para avaliação da exposição ao chumbo e suas correlações com anemia e polimorfismos geneticos em crianças residentes em uma região supostamente não contaminada

Autor(es):
Glauce Regina Costa de Almeida
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Odontologia de Piracicaba
Data de defesa:
Membros da banca:
Antonio Luiz Rodrigues Junior; Sergio Roberto Peres Line; Eduardo Mello de Capitani; Christie Ramos Andrade Leite Panissi
Orientador: Raquel Fernanda Gerlach
Resumo

Devido ao aumento das evidências de que o desenvolvimento mental das crianças pode ser afetado quando elas apresentam concentrações de chumbo no sangue < 10 $g/dL, estudos a respeito de novos biomarcadores de dose interna são necessários, principalmente para se obter informações em relação à exposição de populações residentes em áreas sem contaminação conhecida pelo chumbo. No Brasil, não existe programa nacional para detecção de crianças contaminadas por este metal, as quais são as mais vulneráveis aos efeitos neurológicos resultantes da exposição crônica a baixas concentrações de chumbo, entretanto, alguns estudos mostraram altas concentrações de chumbo no esmalte superficial de dentes decíduos de crianças brasileiras. Os objetivos deste estudo foram: 1) determinar e correlacionar a concentração de chumbo de crianças residentes no Bairro Campos Elíseos de Ribeirão Preto, no sangue total, soro, saliva e amostras de esmalte superficial in vivo; 2) comparar a concentração de chumbo encontrada nos diferentes biomarcadores de acordo com a presença ou ausência de anemia; 3) avaliar a influência dos polimorfismos da ALAD e VDR nos níveis de chumbo dos diferentes biomarcadores. 444 crianças, com idades entre 6 e 8 anos, participaram deste estudo. Amostras de sangue, soro, saliva total, saliva submandibular e da parótida foram coletadas. Duas microbiópsias de esmalte sucessivas foram realizadas em dente decíduo e permanente, nas quais o fósforo foi determinado colorimetricamente, para calcular sua profundidade. As concentrações de chumbo no sangue, soro, saliva e esmalte dental foram determinadas por espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICPMS). O limite de detecção (LD) do método foi 0,03 $g/L e 0,02 $g/L para o soro e saliva, respectivamente. A concentração de hemoglobina foi determinada pelo contador de células Micros - ABX. Os genótipos para os polimorfismos da ALAD e VDR foram determinados por PCR e enzimas de restrição. Para a realização das análises de correlação, as crianças foram divididas em 2 grupos de acordo com a concentração de chumbo no sangue (< 4 and = 4 $g/dL) e no esmalte dental (< 400 e = 400 $g/g). O nível de significância utilizado em cada uma das estatísticas foi de 0,05. Os níveis de chumbo no sangue e no soro variaram de 0,2 a 9,4 (mediana, 2,1) $g/dL e < LD a 2,6 (mediana, 0,4) $g/L, respectivamente. Dez por cento das crianças apresentaram concentração de chumbo no sangue = 4 $g/dL. Os meninos mostraram quantidades de chumbo no sangue total significantemente maiores do que as meninas (2,3 versus 2,0 $g/dL, p<0.0003). As concentrações de chumbo na saliva total, sublingual e parótida foram 1,7; 1,4 e 1,3 $g/L, respectivamente. Não houve correlação entre a concentração de chumbo no sangue e soro e nem entre chumbo no sangue e saliva. Também não encontramos correlação entre concentração de chumbo no soro e saliva. Nas profundidades de 3,1 e 7,0 $m, a mediana da concentração de chumbo, para a primeira e segunda microbiópsias nos decíduos, foi 109,3 e 45,9 $g/g, respectivamente. Para a primeira e segunda microbiópsias nos permanentes, a mediana da concentração de chumbo foi de 308,3 e 99,7 $g/g, respectivamente, e a mediana de suas profundidades 2,9 e 6,0 $m, respectivamente. Não houve correlação entre concentração de chumbo no sangue e no esmalte dental. Nove (n= 35) e 3% (n= 12) das crianças apresentaram concentração de chumbo = 400 $g/g na superfície do esmalte decíduo, para a primeira e segunda microbiópsias, respectivamente, e 33 (n= 92) e 7% (n= 18) tiveram chumbo = 400 $g/g no esmalte permanente, para a primeira e segunda microbiópsias, respectivamente. Uma forte e significante correlação entre chumbo no plasma e no esmalte foi encontrada apenas para crianças que possuíam concentração de chumbo no esmalte superficial = 400 $g/g (r= 0,65, p< 0,0001, para decíduos e 0,51, p< 0,0001, para permanentes). Além disso, não encontramos correlação entre chumbo no esmalte e chumbo nas salivas. Nenhuma diferença estatística foi encontrada entre a distribuição dos alelos da ALAD e VDR (para os polimorfismos BsmI, ApaI e FokI) e chumbo no sangue, soro e esmalte. Nossos resultados mostram uma exposição indevida ao metal na população de 6-8 anos, residente no bairro dos Campos Elíseos (Ribeirão Preto, SP), com 10% das crianças com concentração de chumbo no sangue entre 4,0 e 9,4 $g/dL. Uma forte e significativa correlação foi encontrada somente entre a concentração de chumbo no soro e no esmalte dental, nas crianças que foram mais expostas ambientalmente ao metal. Os dados sugerem que as fontes em que as crianças estão expostas ao chumbo merecem mais estudos no Brasil, assim como dados de concentrações do metal no sangue total de crianças mais novas, pois já está descrito que os níveis de chumbo no sangue < 10 $g/dL podem causar danos neurológicos às crianças (AU)

Processo FAPESP: 06/51979-3 - Utilização de biomarcadores de dose interna para determinação de chumbo e sua correlação com anemia e polimorfismos da alad e do gene receptor da Vitamina D
Beneficiário:Glauce Regina Costa de Almeida
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado