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Morfologia do estigma de Ficus L. (Moraceae) e suas implicações no mutualismo figo-vespa de figo

Autor(es):
Marina Fernanda Bortolin Costa
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Juliana Villela Paulino; Joecildo Francisco Rocha; Larissa Galante Elias; Kayna Agostini
Orientador: Simone de Pádua Teixeira
Resumo

A estrutura estigmática em Ficus merece destaque devido a sua diversidade morfológica no grupo, à formação do sinestigma e aos importantes aspectos evolutivos relacionados às vespas polinizadoras. A variação na morfologia estigmática observada em Ficus ocorre quanto à forma, à composição da superfície, à presença de exsudato e, quando presente, ao grau de coesão entre os estigmas que formam um sinestigma. Assim, este estudo propõe-se a investigar em detalhe a morfologia do estigma e do sinestigma, assim como o funcionamento do sinestigma, usando como modelos 29 espécies de Ficus, pertencentes a oito, de um total de 19 seções . Desta forma, a tese é estruturada em três capítulos. No primeiro capítulo, estigmas de oito espécies de Ficus pertencentes a diferentes linhagens, englobando sete seções, com modos de polinização e expressão sexual diferentes, foram observados em microscopia de luz e eletrônica de varredura. Além disso, selecionou-se Castilla elastica, espécie entomófila com polinização passiva, considerada grupo irmão de Ficus, para fins comparativos. Os resultados demonstraram a diversidade morfológica de estigma em Ficus, além de confirmarem a ocorrência de sinestigma em espécies com sistema de polinização ativa, sejam monoicas ou ginodioicas. Surpreendentemente, o entrelaçamento de ramos estigmáticos encontrado em Ficus, ocorre também em C. elastica, sugerindo a existência de um sinestigma como em Ficus. Para o segundo capítulo, 21 espécies de Ficus da seção Americana com polinização ativa foram estudadas quanto à presença e à morfologia de sinestigma. As dimensões do sicônio e de sua cavidade foram consideradas na discussão dos tipos de sinestigma encontrados. Todas as espécies apresentaram sinestigmas, com variações no número e grau de coesão de estigmas por sinestigma e na distância entre os sinestigmas. A presença de sinestigma não é influenciada pelo tamanho do sicônio, mas as dimensões da cavidade siconial podem determinar o grau de aproximação entre os sinestigmas. O terceiro capítulo propôs analisar o funcionamento do sinestigma e suas implicações na interação figueira-vespa de figo em seis espécies de Ficus da seção Americana, em especial por meio de observações do comportamento dos tubos polínicos no pistilo em microscopia de epifluorescência. Os resultados permitiram demonstrar tubos polínicos de morfologia atípica crescendo de um estigma em direção a outro, confirmando a importância do sinestigma na distribuição de tubos polínicos. Nossos dados confirmaram muitas proposições existentes na literatura sobre o tema e, principalmente, ao ampliar o número de espécies estudadas, contribuíram com o avanço no conhecimento da interação mutualística figueira-vespa de figo. (AU)

Processo FAPESP: 12/02374-2 - Sinestigma de espécies neotropicais de Ficus L. (Moraceae) e seu papel no mutualismo figo-vespa de figo
Beneficiário:Marina Fernanda Bortolin Costa
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado